O funcionamento do dique em construção entre os bairros Sarandi e Anchieta, na Zona Norte de Porto Alegre, gerou dúvidas entre moradores afetados pela cheia do Rio Gravataí na região metropolitana. O nível do rio variava entre 4,77 metros e 4,79 metros até a tarde desta segunda-feira (3), acima da cota de inundação, que é de 4,75 metros. Morador do bairro Americana, em Alvorada, Adão Souza Dias Júnior precisou sair de casa por causa da enchente e questiona o nível da cheia.
“A água subindo mesmo foi segunda passada. Foi quando ela começou a aparecer. Porque quando ela aparece e chega ali, é certo que vem alta e aí precisa sair de casa. Não tem o que fazer. E agora a gente sabe que a Zona Norte tá mandando água aqui pro outro lado pra não ir para o aeroporto”, afirma Adão.
Prefeitura de Alvorada presta apoio a famílias
A Prefeitura de Alvorada informou que prestou apoio a 50 famílias, totalizando 129 pessoas, que se deslocaram para casas de parentes, amigos ou imóveis alugados. Outras seis pessoas, de quatro famílias, estão acolhidas no abrigo municipal instalado no Ginásio Tancredo Neves. A operação do dique, que conta com bombas instaladas emergencialmente enquanto a obra principal não é concluída, direciona a água do Arroio Passo das Pedras para o Rio Gravataí.
Esse processo será automático quando o trabalho estiver finalizado. A previsão é de que a obra termine ainda em agosto deste ano. A estrutura faz parte do sistema de prevenção contra cheias na região e evita que a água retorne aos bairros, causando alagamentos na Zona Norte.
Dmae afirma que impacto é mínimo
A imagem da água sendo escoada para o Rio Gravataí impressiona, mas, segundo o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) de Porto Alegre, não há influência relevante dessa vazão para a cheia do rio. “É como se a gente pegasse um copo d'água e colocasse dentro de uma piscina olímpica, por exemplo. É tirar um grão de areia de uma grande bacia cheia de areia. São proporções muito pequenas de secagem e o impacto foi medido nas regiões aqui de Cachoeirinha e Gravataí”, explica Vicente Perrone, diretor-presidente do Dmae.
“Simulações de computador e mesmo toda essa água que está sendo colocada não tem nenhum impacto no nível do Rio Gravataí. Estamos bastante tranquilos. Os órgãos competentes já fizeram o licenciamento”, completa.
Estudo técnico embasa argumento
Uma nota técnica emitida com base em um estudo da Rhama Analysis, consultoria contratada pela Prefeitura de Porto Alegre, é a base para o argumento. Segundo o levantamento, a influência é de 2 a 6 milímetros. Análise do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS) corrobora a nota.
Para Fernando Meirelles, professor do IPH, a obra é essencial e não causa impacto relacionado às cheias do Rio Gravataí. “Essa obra é essencial para proteger a Zona Norte de Porto Alegre, que ficou muito vulnerável, como a gente pode ver no evento de 2024. Nós consideramos que não tem influência nenhuma na questão da cheia de Cachoeirinha, Gravataí, Canoas, essa construção desse dique emergencial”, afirma.



