Um novo estudo do World Weather Attribution (WWA) revela que a crise climática tornou as condições para incêndios florestais recordes na Espanha e em Portugal 40 vezes mais prováveis. As temperaturas extremas registradas em agosto seriam extremamente improváveis em um clima pré-industrial, segundo Theodore Keeping, pesquisador do Imperial College de Londres.
Mais de um milhão de hectares foram queimados neste verão europeu, marca inédita desde 2006. Espanha e Portugal concentram dois terços da área devastada. Em uma semana, 175 mil hectares queimaram na Espanha, mais que o dobro da média anual. Em Portugal, 260 mil hectares foram consumidos pelo fogo, equivalente a 3% do território. Oito pessoas morreram e dezenas de milhares foram evacuadas.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, propôs um pacto nacional contra as mudanças climáticas e a mobilização de países do sul da Europa para adaptação e prevenção a incêndios. As medidas incluem reforma da infraestrutura hídrica, controle da expansão imobiliária em áreas de risco e alterações na legislação trabalhista para prevenir doenças ocupacionais durante ondas de calor.
Maja Vahlberg, do Centro Climático da Cruz Vermelha, destaca que mudanças demográficas, como despovoamento rural e envelhecimento das comunidades, deixaram grandes áreas menos gerenciadas, acumulando vegetação combustível. Especialistas recomendam restaurar práticas agrícolas tradicionais e manejo da vegetação para reduzir a inflamabilidade das paisagens.



