Como paulistanos driblaram greve de trens da CPTM
Como paulistanos driblaram greve de trens da CPTM

A greve dos trabalhadores da CPTM na manhã desta quarta-feira (12) provocou aumento no trânsito, estações lotadas e atrasos nas transferências com ônibus, mas a operação parcial das linhas e o uso de rotas alternativas do metrô ajudaram a reduzir o caos na capital paulista. Segundo a Companhia do Metropolitano de São Paulo, o sistema de metrô operou com capacidade máxima, absorvendo parte da demanda que normalmente utiliza os trens da CPTM.

Impacto no trânsito e nas estações

O trânsito na cidade registrou lentidão acima da média em vias expressas como Marginal Tietê e Marginal Pinheiros, especialmente nos horários de pico. As estações da CPTM, como Brás e Luz, ficaram lotadas, com filas que se estendiam para fora das plataformas. Muitos passageiros relataram dificuldade para embarcar nos trens que operavam com intervalos maiores que o normal.

As transferências com ônibus também foram afetadas. Nos terminais de integração, como o da Barra Funda, a espera por coletivos chegou a ultrapassar 30 minutos, segundo relatos de usuários. A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes afirmou que reforçou a frota de ônibus em 10% nas regiões atendidas pela CPTM, mas ainda assim houve atrasos.

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Estratégias dos passageiros

Para contornar a greve, muitos paulistanos optaram por rotas alternativas de metrô, como as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha, que operaram normalmente. Alguns passageiros relataram que saíram de casa mais cedo, enquanto outros usaram aplicativos de carona ou táxi. A estudante Maria Silva, que depende da linha 11-Coral para chegar à faculdade, contou que acordou às 4h30 para garantir um lugar no trem. "Se eu não saísse muito cedo, não conseguiria chegar a tempo", disse.

Outra estratégia foi o uso de bicicletas compartilhadas. Segundo a Prefeitura, o número de viagens de bike compartilhada aumentou 15% em relação à média de dias úteis. A ciclista Ana Paula Souza afirmou que pedalou 12 quilômetros do Tatuapé até o centro, pois o trem não era uma opção viável.

Operação parcial da CPTM

A CPTM informou que a operação parcial foi mantida em todas as linhas, com intervalos médios de 20 minutos entre as composições. A empresa destacou que o serviço foi interrompido por volta das 5h, mas que equipes de contingência foram acionadas para minimizar os impactos. Em nota, a CPTM afirmou que "a operação parcial foi necessária para garantir a segurança dos passageiros e dos trabalhadores".

O sindicato dos ferroviários, que convocou a paralisação, não informou quando a greve será encerrada. A categoria reivindica reajuste salarial de 8%, enquanto a empresa oferece 4%. As negociações devem ser retomadas na próxima sexta-feira, segundo o sindicato.

Reações e expectativas

O governador do estado de São Paulo, em entrevista coletiva, criticou a greve e afirmou que a medida é "irresponsável" e prejudica a população. "Entendemos o direito de reivindicação, mas não podemos aceitar que a população seja refém de uma paralisação sem aviso prévio", declarou. Ele também anunciou que o estado estuda ações judiciais para garantir a manutenção do serviço essencial.

Passageiros, por outro lado, demonstraram compreensão com a causa, mas reclamaram da falta de informação. O comerciante Carlos Pereira, que esperava na estação Brás, disse que "a CPTM deveria ter avisado antes, para que pudéssemos planejar melhor". A empresa informou que utilizou painéis eletrônicos e redes sociais para comunicar a paralisação, mas reconheceu que a comunicação poderia ter sido mais eficaz.

Perspectivas para o resto do dia

A expectativa é que a greve continue durante todo o dia, e a CPTM recomenda que os passageiros evitem horários de pico e busquem alternativas como metrô, ônibus ou caronas. A empresa também informou que está disponibilizando ônibus extras nos principais pontos de integração, mas sem previsão de normalização do serviço.

Enquanto isso, o trânsito deve permanecer lento nas próximas horas, especialmente nas regiões próximas às estações. As autoridades de trânsito orientam os motoristas a evitarem as vias de acesso às estações e a utilizarem rotas alternativas.

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