Cafetina: nova cafeteria em Santa Cecília celebra café feminino
Cafetina: nova cafeteria em Santa Cecília celebra café feminino

Por Giulia Howard | 10/06/2026 | 08h00

Cafeteria com “café” maiúsculo, essa é a Cafetina. O mais novo endereço de Santa Cecília promete sim comidinhas gostosas, mas, indo na contramão dos muitos brunches que abrem por São Paulo, Julia e Nadia Nasr querem que seus clientes venham pelo café e perdurem a estada pelo ambiente aconchegante, descolado e que respira Café Por Elas.

Esse foi um sonho que nasceu e foi incubado há oito anos atrás. Em 2016, as duas irmãs, advogadas, construindo carreiras em escritórios, decidiram abrir um negócio que tivesse a ver com o ofício da mãe, que é cafeicultura. Sempre movidas por um objetivo: dar voz a pequenas produtoras mulheres, donas de cafés extraordinários e que mereciam chegar às xícaras dos brasileiros.

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No Brasil, são 40 mil estabelecimentos produtores de café com lideranças femininas (IBGE, Censo Agropecuário 2017), aproximadamente 13% dos 304 mil totais contabilizados. Quase todas as propriedades estão distribuídas entre Minas Gerais e Espírito Santo, mas também com concentrações na Bahia. São 1,7 milhão de mulheres dirigindo ou codirigindo propriedades rurais no País. É justamente nessas regiões que o Café Por Elas mais firma parcerias, com destaque para São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, ao longo dos anos, já trabalharam com 30 produtoras parceiras.

Até ontem, esses grãos vindos de tantos lugares eram torrados, ensacados e vendidos para restaurantes, cafeterias e hotéis pela Café Por Elas. Hoje, há uma vitrine diária dessas produções para quem quiser pedir - para beber na casa, para beber em casa. “No último ano, já vínhamos nos aproximando do consumidor final e acreditamos que esse contato presencial faz toda a diferença, é construir o relacionamento mais próximo da nossa comunidade”, diz Nadia.

Em meio a tudo isso, lembraram do desejo antigo de fazer uma cafeteria, que disponibilizasse seus produtos e possibilitasse a elas soltarem a criatividade em algo totalmente próprio, com a cara delas. Oito anos atrás, a ideia inicial era fazer uma cafeteria que servisse os grãos colhidos por sua mãe. Mas a logística da coisa, que demandava uma torra, fez com que as duas dessem um passo para trás e decidissem não pular etapas. Primeiro, mestras de torra, depois, a ver. E o depois chegou, em forma de Cafetina.

O que comer e beber no Cafetina?

Por lá, os seis tipos de café da Café Por Elas estarão disponíveis todos os dias no método coado (a partir de R$ 18) - é possível tomá-lo com dois tipos de extração, a Kalita (percolação pura e simples) e a Gina (mistura de percolação com infusão, por meio de um mecanismo com válvula). O grão para o espresso (R$ 10) varia de acordo com o dia. Mas nem só de café puro se vive a Cafetina, os amantes de bebidas com nomes complicados, sabores diferentes e xaropes (claro, naturais) também estão bem servidos.

As muitas combinações de leite e café vêm em forma de flat white, macchiato, lattes e um capuccino à moda, que, na verdade, é caputina, com “t” e “a”. Um xarope de zaatar mostra as origens libanesas das sócias na xícara, misturando dulçor, cremosidade e um toque herbáceo que dá vontade de pedir mais de um (R$ 23, o zaatar latte). O latte com xarope de cumaru (R$ 24) também promete surtir o mesmo efeito em quem bebe.

“A gente está sempre experimentando para saber quais cafés casam melhor com cada tipo de bebida, inclusive com microlotes que vão chegando. É um laboratório, de fato, vamos brincando com nossas bebidas autorais”, afirma Julia.

O “pingado” (R$ 16) no copo marrom-transparente que lembra casas antigas vem com nome, mas também sobrenome. “& torrado” está escrito do ladinho no menu, indicando que vem com leite queimado que nem de vó. A caputina (R$ 25)? Não entraremos em detalhes, porque, afinal, a graça está em pedir a bebida sem muitas explicações e, enquanto espera-se receber “uma bebida trifásica, chega, na verdade, translúcida”. Palavras da dona.

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Para comer, as receitas da padeira Marta Carvalho, dona da padaria artesanal Martoca. Tem croissant, pão de queijo, um sanduíche de picanha defumada, queijo padrão e cebola caramelizada, e um combo com pão de fermentação natural, shankrich, hommus da casa e tomatinho confit, honrando as heranças gastronômicas das sócias. Os muffins também são uma excelente pedida, com opções de mirtilo, maçã com noz pecã e com calda de café e cream cheese. Tudo a partir de R$ 14 e chegando a R$ 70, para dividir. “Nas comidas, também tivemos o cuidado de manter essa relação com as pequenas produtoras rurais, como fazemos no café”, declara Nadia.

Cafetina: o nome

“As pessoas sempre chamavam a gente de rainhas do café, baronesas do café e muitos outros termos e a gente não se sente nem um pouco assim. Um dia, alguém nos chamou de cafetinas, brincando, e nós gostamos”, contam as irmãs.

“Cafetina é o nosso lado mais brincalhão, experimental, ousado e divertido, pode ter, eventualmente, uma experiência com bebidas alcoólicas, por exemplo. É uma persona diferente, que conversa mais com o nosso lado mais espontâneo e alto astral, enquanto o Café Por Elas é mais sério, de negócios”, destaca Julia.

A casa ‘Por Elas’

Comprometidas com uma estética acolhedora e com a cara delas, as irmãs Nasr colocaram no salão desde louças clássicas de casas antigas, em tons terrosos, até cadeiras, poltronas, sofás e mesas que ornam cantinhos para todos os gostos. Tem espaço para grupos maiores, lugares intimistas para casais, banquetas no balcão perfeitas para quem quer conhecer melhor quem faz tudo que sai dali e mesas colocadas perto umas das outras que convidam à conversa com o estranho que senta ao lado.

Duas mulheres foram convocadas para a missão de colorir e ilustrar o espaço, Yasmin Sanchez (Yez Yas) e Thereza Nardelli (zangadas tatu). Para a arquitetura e design interior, a inspiração foi nas mulheres modernistas, seja em traçados mais surrealistas nos banheiros, um mural com uma mulher vestida de animais que, geralmente, são usados como forma de xingamento contra mulheres - vaca, galinha, etc. - e na mobília com curvas inspiradas no Copan. “A gente queria dialogar com a Santa Cecília [carinhosamente chamada de Santa Cê por Julia] de todas as formas, afinal, uma cafeteria é um negócio local, que faz parte do seu entorno”, Nadia revela.

Serviço

@cafetina___ R. Barão de Tatuí, 183 - Santa Cecília