Avião experimental cai em Mogi Mirim e mata piloto de 25 anos
Avião experimental cai em Mogi Mirim e mata piloto

O piloto Leonardo Bezerra Pinheiro, de 25 anos, morreu carbonizado na tarde desta quarta-feira (29) após a queda de um avião ultraleve experimental em Mogi Mirim, interior de São Paulo. A aeronave, modelo Conquest, fabricada por Donald Stipanich em 2004, era classificada como experimental de construção amadora pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Aeronave experimental e suas restrições

De acordo com a Anac, aviões experimentais de construção amadora não precisam cumprir requisitos técnicos de aeronavegabilidade. "O construtor vai utilizar suas melhores habilidades e conhecimento para construir a aeronave e, como consequência, assumindo ele o risco pelo voo", explicou o órgão em nota. "Por isso, a Anac apenas verifica o cumprimento de requisitos administrativos, como o critério da maior porção construída ou a existência de um engenheiro responsável."

Essas aeronaves só podem voar durante o período diurno e não podem ser usadas para operações comerciais, serviços aéreos ou voos de instrução. O voo ocorre por conta e risco dos ocupantes. O modelo envolvido no acidente possuía Certificado de Autorização de Voo Experimental (Cave) e podia ser operado pela escola Sport Pilot, que adquiriu a aeronave em 23 de março de 2026.

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Condições climáticas como fator contribuinte

Mogi Mirim registrou rajadas de vento de 60,5 km/h por volta das 16h30, horário estimado da queda, segundo a Defesa Civil da cidade. A velocidade constante dos ventos atingiu pico de 20,6 km/h entre 16h30 e 17h. Um treinador de pilotos ouvido pelo g1, que preferiu não se identificar, afirmou que aviões desse tipo são mais suscetíveis às condições climáticas: "É um avião mais leve, um avião mais sujeito às intempéries, um avião que tem mais restrições."

Um especialista consultado pelo g1 classificou as rajadas como um "fator contribuinte", mas não a causa única do acidente. "Pode não ser apenas isso, mas pode ter contribuído", disse. O proprietário da escola Sport Pilot, Gerson Martinez, também apontou o clima como possível fator para a perda de controle.

Abastecimento e dinâmica do acidente

Segundo Martinez, antes de decolar, Pinheiro abasteceu a aeronave com uma quantidade de combustível "um pouco maior" do que o necessário para um voo local. "Foi colocada uma quantidade de combustível um pouquinho maior do que seria para um voo local. E, segundo o cara que abasteceu, após a decolagem parece que ele perdeu o controle da aeronave, entrou em atividade anormal e veio a se acidentar", informou. O proprietário cogitou que o excesso de combustível poderia ser uma precaução devido ao tempo ou à chuva, para garantir segurança em caso de arremetida ou desvio para outro aeroporto.

O acidente ocorreu por volta das 16h30 na Rodovia Luiz Gonzaga de Amoedo Campos, na zona rural de Mogi Mirim. A aeronave de dois lugares, prefixo PU-DON, pegou fogo após a queda, e o Corpo de Bombeiros combateu as chamas. O piloto morreu carbonizado.

Investigação em andamento

A Polícia Civil de Mogi Mirim, sob a delegada Emília de Oliveira Araújo, realizou perícia para identificação formal da vítima. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV) foram ao local para coleta de dados e verificação de danos. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) conduzirá a investigação para identificar possíveis fatores contribuintes e emitir recomendações de segurança.

Martinez afirmou que a escola Sport Pilot funciona regularmente e prestará esclarecimentos e apoio à família do piloto.

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