Restauração de vitrais históricos da Candelária chega a 70%
Restauração de vitrais da Candelária chega a 70%

Os vitrais da Igreja de Nossa Senhora da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro, estão passando por uma restauração que já alcançou 70% de execução. O conjunto de três peças, criado em 1898, faz parte da obra “Invocação de Santa Cecília” e fica no espaço dedicado ao coro da igreja, retratando Nossa Senhora com o Menino Jesus. Ao longo de mais de um século, os vitrais foram danificados pela poluição, pela ação do tempo, pelas condições climáticas e, principalmente, por pedradas — marcas de vandalismo que deixaram buracos e arranhões nas peças.

Um patrimônio com assinatura de artistas brasileiros

Os vitrais foram concebidos no fim do século XIX pelos artistas João Zeferino da Costa e Henrique Bernardelli, e produzidos em 1898 pela tradicional oficina F. X. Zettler, em Munique, na Alemanha. João Zeferino da Costa também foi responsável pela decoração interna da igreja, o que torna o conjunto ainda mais integrado à arquitetura do templo.

A restauração começou depois que a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária procurou o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) para alertar sobre a necessidade de intervenção. O projeto conta com o apoio da Fundação Gerda Henkel, da Alemanha.

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“Entramos em contato com o consulado da Alemanha e explicamos que os vitrais são um patrimônio brasileiro e alemão. Aceitaram ajudar na mesma hora”, explica o gerente de Arqueologia do IRPH, Helder Magalhães Viana.

“São vitrais do século XIX concebidos por um artista importante, professor da Escola Imperial de Belas Artes, que é o João Zeferino da Costa, que coube fazer toda a decoração interna da Igreja Nossa Senhora da Candelária. Esses vitrais integram essa composição artística, com uma composição junto com uma pintura da parede, como se fossem inseridos no mesmo tema”, acrescenta.

Restauração busca preservar originalidade

O processo de restauração inclui limpeza e consolidação de pinturas fragilizadas. Os olhos da santa e do Menino Jesus, por exemplo, estavam opacos e precisaram de atenção especial. As empresas contratadas para os trabalhos foram a Luidi e Luiza Vitrais e a Jequitibá Restauro.

Como várias áreas do conjunto apresentam buracos causados por pedradas, foi necessário importar mais vidro da Alemanha e pintá-lo de forma compatível com o que estava preservado. O material é levado ao forno para reduzir eventuais espaços entre ele e o vidro original. A prioridade dos especialistas é manter ao máximo a originalidade da peça.

“Existe uma porcentagem do trabalho que você consegue fazer sem precisar ficar trocando vidros novos, o que acaba tirando a originalidade da peça. Então, quanto mais original ela for, mais valorização ela tem e menos a história também a gente perde”, diz Eliana Leandro Gonçalves Lemos, da empresa Luidi e Luiza Vitrais Ltda.

Proteção contra novos ataques

Para evitar a repetição dos episódios de vandalismo, o projeto contempla a instalação de vidraças de proteção com sistema isotérmico de ventilação e telas metálicas, solução amplamente adotada na Europa. Assim, os vitrais ficam resguardados sem perder a visibilidade e a luminosidade que caracterizam a obra.

O secretário da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, Justino Carvalho Neto, destaca que a recuperação vai além da preservação de obras de arte. “Quem entra na Igreja da Candelária se encanta com sua arquitetura, sua história e, principalmente, com a beleza dos seus vitrais. Essas obras de arte acompanham gerações de cariocas e visitantes há mais de um século”, afirma.

Seminário Internacional reúne especialistas em conservação

Para discutir o trabalho realizado e ampliar o conhecimento sobre a conservação de vitrais históricos, especialistas do Brasil e da Europa participam de um Seminário Internacional entre os dias 3 e 5 de agosto. O evento será realizado no Windsor Guanabara, no Centro, como parte das comemorações pelos 40 anos da Rede Windsor Hoteis, que apoia o projeto de restauração.

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A programação terá palestras e mesas de discussão sobre as metodologias utilizadas na recuperação dos vitrais, além de troca de experiências entre profissionais da área. O encontro também prevê ações de capacitação de jovens restauradores, incentivo à documentação científica e difusão de técnicas de conservação.

Para a presidente do IRPH, Laura Di Blasi, o seminário representa uma oportunidade de apresentar os procedimentos adotados no projeto e discutir formas de preservar esse tipo de patrimônio. “A organização deste projeto de um ano foi além do restauro, que é muito importante na preservação desta que é uma das igrejas mais tradicionais do Rio, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), trazendo especialistas internacionais para debater as melhores práticas de salvaguarda de vitrais históricos”, afirma.

Além do seminário, o Windsor Guanabara vai receber a inauguração de uma exposição itinerante com os 50 vencedores do concurso fotográfico Olhos de Ver 2026, realizado em parceria com o IRPH e a Fundação Gerda Henkel. A mostra reúne fotografias que destacam detalhes e a luminosidade dos vitrais da cidade, aproximando o público das características artísticas dessas peças.

Serviço

Seminário Internacional de Restauração de Vitrais
De 3 a 5 de agosto de 2026
Local: Centro de Convenções Windsor Guanabara – Salão Pancetti
Endereço: Av. Presidente Vargas, 392 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
Horário: 8h30 às 17h45