Os 56 caminhões VW Constellation 26.280 vendidos à Loga começam a rodar na coleta de lixo das regiões norte e noroeste de São Paulo com uma proposta inédita: o combustível vem do próprio lixo coletado. Cada veículo, avaliado em R$ 1,3 milhão, usa motor Cummins de 6,7 litros, seis cilindros e 280 cavalos de potência, preparado para operar no Ciclo Otto com gás natural veicular (GNV) ou biometano.
O motor pode ser abastecido com o GNV comum dos postos ou com biometano de origem industrial, do agronegócio ou de aterros sanitários. No caso dos veículos da Loga, o gás virá do aterro de Caieiras, rico em material orgânico, o que fecha o ciclo: o caminhão roda com combustível obtido a partir do próprio resíduo que coleta.
Motor a gás com padrão Euro 6
De acordo com a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), os veículos seguem as mesmas normas de emissões Euro 6 aplicadas aos motores a diesel. Eles entregam potência e torque equivalentes aos modelos convencionais, mas com uma redução de até 30% no ruído — um diferencial importante para operações noturnas de coleta urbana.
A VWCO destaca ainda que a origem renovável do biometano permite uma redução de até 90% nas emissões de carbono em comparação ao diesel. O gás utilizado nos caminhões da Loga vem do aterro de Caieiras, que recebe entre 8,6 mil e 11 mil toneladas de resíduos por dia em uma área de 35 milhões de metros quadrados, protegida por um cinturão verde que cobre 40% de sua extensão.
Parceria com a Loga completa 56 unidades
Os 56 veículos foram comprados pela Loga, concessionária responsável pela coleta de lixo urbano nas zonas norte e noroeste de São Paulo. A operação atende 1,6 milhão de residências e mais de 700 bairros da capital paulista. Segundo a empresa, o projeto começou a ser desenhado em 2024, com testes operacionais para adaptar o caminhão à capacidade máxima de carga exigida pela cliente.
“Criamos esta solução para a Loga e apresentamos o conceito em 2024, quando iniciamos os testes operacionais para fazer as melhorias e a adequação do caminhão para a capacidade máxima de carga necessitada pela cliente. Com isso, desenvolvemos uma plataforma adequada para este tipo de operação, que poderá ser utilizada por outros clientes nesta mesma aplicação”, afirma Ricardo Alouche, vice-presidente de marketing e vendas da VWCO.
Expansão para Curitiba, Goiânia e versões rodoviárias
Alouche adiantou que o Constellation a gás já está em negociação para outras cidades, como Curitiba (PR) e Goiânia (GO). “Estamos oferecendo o caminhão para outros clientes também. Este é o primeiro filho que nasce e certamente haverá derivados deste caminhão para outras operações e aplicações, com versões rodoviárias aptas para atender o transporte industrial e de cargas a granel”, disse.
O executivo também explicou que a VWCO vai priorizar a consolidação da versão de coleta de lixo antes de ampliar o portfólio. “Tudo será feito no seu tempo. Agora, estamos trabalhando o Constellation a gás para a coleta de lixo. Em seguida, daremos continuidade nos estudos e no desenvolvimento do produto para outros segmentos, inclusive analisando o mercado de extrapesados. Estamos sendo cirúrgicos.”
Do lixo ao combustível: o aterro de Caieiras
O biometano que abastece a frota da Loga é produzido na usina de refino instalada no aterro sanitário de Caieiras. A planta utiliza gases gerados pela decomposição do material orgânico e tem capacidade para produzir 67 mil metros cúbicos de gás combustível puro por dia. Parte desse volume já é usada por outras empresas que operam caminhões rodoviários a gás.
Esse aproveitamento evita a liberação de metano na atmosfera, um gás altamente poluente, e transforma um passivo ambiental em fonte de energia limpa. Para a VWCO, o ciclo fechado do projeto — do lixo urbano ao combustível dos próprios caminhões que coletam esse lixo — é um dos principais atrativos da nova plataforma a gás.



