Peixe molinésia-amazona vive sem machos há 100 mil anos
Peixe molinésia-amazona vive sem machos há 100 mil anos

Peixe que vive sem machos há 100 mil anos intriga cientistas

Nos rios do México e do sul do estado americano do Texas, uma espécie de peixe que não deveria existir segundo a teoria da evolução continua a prosperar. A molinésia-amazona, um peixe de escamas prateadas, vive em cardumes compostos exclusivamente por fêmeas. Para se reproduzir, ela utiliza o esperma de machos de espécies similares, mas o DNA paterno é descartado. Esse processo, chamado ginogênese, resulta em filhotes que são clones da mãe.

O enigma da reprodução assexuada

A reprodução sexuada é dominante na natureza, mas a assexuada parece mais eficiente: não exige parceiro e transmite 100% dos genes. No entanto, a teoria da evolução prevê que espécies assexuadas acumulam mutações prejudiciais e se extinguem rapidamente. A molinésia-amazona, que existe há cerca de 100 mil anos, desafia essa previsão. Estudos recentes começam a desvendar como ela escapa desse destino.

Conversão genética: o segredo da longevidade

Pesquisadores da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, na Alemanha, descobriram que a molinésia-amazona utiliza um mecanismo chamado conversão genética. Esse processo, presente em muitos organismos, funciona como um sistema de "copia e cola" que repara danos no DNA. Na molinésia, a conversão genética ocorre com mais frequência, especialmente em regiões do genoma onde as mutações seriam mais prejudiciais. Isso ajuda a manter o genoma saudável, substituindo a recombinação sexual.

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Origem híbrida da espécie

A molinésia-amazona surgiu há cerca de 100 mil anos do cruzamento entre uma fêmea de molinésia-do-atlântico e um macho de molinésia-latipina. Diferente da maioria dos híbridos, que são estéreis, essa linhagem se tornou fértil e assexuada. A herança genética das duas espécies ancestrais proporciona alta variação genética, o que contribui para a eficácia da conversão genética.

Outros exemplos de assexuados antigos

A molinésia-amazona não é a única. Os rotíferos bdeloídeos, por exemplo, vivem sem machos há dezenas de milhões de anos. Eles conseguem obter DNA do ambiente por transferência genética horizontal, um processo raro em animais. Embora ainda não se saiba exatamente como isso os ajuda, acredita-se que gere diversidade genética.

Implicações para a ciência

Entender como espécies assexuadas evitam mutações pode ter aplicações na biologia humana, especialmente no estudo do câncer, uma doença causada por mutações genéticas. Os cientistas acreditam que a conversão genética pode ser um mecanismo comum em outros organismos assexuados, mostrando que a natureza tem caminhos alternativos para manter a saúde genética.

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