Na tarde do último sábado, um artefato lançado por um drone explodiu na comunidade Dourado, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. Dois homens que montavam brinquedos para uma festa na Rua João Henrique sofreram ferimentos leves. De acordo com a Polícia Militar, a dupla não quis registrar queixa nem receber atendimento médico.
Moradores da região relataram aos policiais da Unidade de Polícia de Proximidade (UPP) que viram a aeronave não tripulada sobrevoando o local antes da explosão. Nas redes sociais, moradores afirmaram que o explosivo danificou brinquedos que haviam sido montados na rua e deixou buracos no asfalto. O caso foi encaminhado à 38ª Delegacia de Polícia (Brás de Pina).
Cenário de guerra entre facções
A ocorrência em Cordovil está inserida em uma nova estratégia do crime organizado: o uso de veículos aéreos não tripulados em guerras entre facções criminosas rivais e durante operações policiais no Rio. A Subsecretaria de Inteligência da Secretaria estadual de Segurança Pública identificou que traficantes do Comando Vermelho (CV) vêm recebendo treinamento especializado para operar drones de grande porte.
Segundo as investigações, esses drones são utilizados para transportar armas e drogas entre comunidades dominadas pela facção. O principal instrutor seria um brasileiro que retornou recentemente da guerra na Ucrânia, onde atuou como voluntário no conflito contra a Rússia.
Instrutor com experiência de combate
De acordo com a polícia, o homem permaneceu por pelo menos um ano na região de combate. Ao voltar para o Rio, passou a ensinar aos traficantes técnicas militares, incluindo o uso de aeronaves não tripuladas para logística e monitoramento de território.
Os modelos de drone adquiridos pela facção, conforme a investigação, são os mesmos usados em áreas agrícolas para pulverização de lavouras e em operações de entrega de cargas. O custo estimado de cada aeronave ultrapassa R$ 200 mil.
Investigação segue na 38ª DP
A Polícia Militar foi acionada para atender a ocorrência na comunidade Dourado, mas o caso segue sob responsabilidade da 38ª DP. Imagens compartilhadas por moradores mostram os danos causados pelo explosivo no asfalto e nos equipamentos montados para o evento.
Até o momento, nenhum suspeito foi identificado ou preso pelo ataque. As autoridades de segurança tratam o episódio como mais um exemplo do poder de fogo e da sofisticação logística das facções que atuam no estado.



