O vereador Edivan de Jesus Santos, conhecido como Morão (União Brasil), reassumiu o mandato na Câmara Municipal de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo da Bahia, na segunda-feira (3), após quase 10 meses afastado das atividades legislativas. O retorno ocorreu após o parlamentar obter liberdade por decisão da Justiça e apresentar à Câmara a documentação necessária para voltar ao exercício das funções.
Em nota, a Câmara informou que recebeu um ofício encaminhado por Morão comunicando que estava apto a reassumir o mandato. O pedido foi acompanhado de um atestado médico que comprova a capacidade para retornar às atividades. Segundo a Casa Legislativa, após a análise da documentação e com base na Lei Orgânica do Município e no Regimento Interno, a Mesa Diretora adotou as medidas administrativas para restabelecer o mandato do vereador.
Processo de cassação segue em andamento
Apesar do retorno de Morão às atividades legislativas, o presidente da Câmara Municipal de Santo Antônio de Jesus, vereador Caique Barbosa, informou que o processo administrativo que analisa a possível cassação do mandato seguirá tramitando normalmente. De acordo com o presidente da Casa, a comissão responsável pela análise do pedido de cassação permanece em funcionamento e dará continuidade aos procedimentos previstos. Assim, independentemente da situação judicial do parlamentar, a Câmara dará sequência ao processo que poderá resultar na perda do mandato.
Morão foi solto em 11 de junho, após passar cerca de oito meses preso. Ele estava detido desde outubro de 2025 por suspeita de violência doméstica e familiar contra a ex-companheira. O vereador foi preso no dia 23 de outubro de 2025, em Salvador, durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva. Na ocasião, ele foi localizado em uma clínica de saúde mental, onde estava internado. Depois, foi encaminhado ao Conjunto Penal de Valença, onde permaneceu à disposição da Justiça.
Investigação por tentativa de feminicídio
Além do processo de cassação, Morão também responde a uma investigação por tentativa de feminicídio contra a mesma mulher. O caso ocorreu em fevereiro de 2025, quando a vítima relatou ter sido agredida com golpes de faca e pedaços de madeira durante uma discussão motivada por ciúmes, no bairro Salgadeira, em Santo Antônio de Jesus. Após o crime, a Justiça decretou a prisão preventiva do vereador. Ele ficou foragido por cerca de 20 dias e foi localizado em março, no distrito de Boipeba, em Cairu.
Morão permaneceu preso até abril de 2025, quando obteve liberdade após audiência de instrução e julgamento. Na decisão, o juiz entendeu que não havia fundamentos para manter a prisão preventiva. Em julho do ano passado, o vereador retornou ao mandato e, durante discurso na Câmara, pediu desculpas publicamente às mulheres.
Segundo a Polícia Civil, o inquérito que apura o caso envolvendo o parlamentar foi concluído e encaminhado à Justiça. O caso que motivou a prisão foi registrado em 11 de outubro de 2025, em Santo Antônio de Jesus. Além da prisão preventiva, a Justiça determinou medidas protetivas em favor da vítima.
Histórico político e afastamento
Na época da prisão, Morão havia protocolado um pedido de afastamento temporário para tratamento psiquiátrico. Posteriormente, a Câmara aprovou licença médica, e o suplente Mário Sérgio, conhecido como Sérgio Gordo do Mutum (União Brasil), assumiu a vaga. Em abril deste ano, os vereadores aprovaram a abertura de um processo de cassação contra Morão. A medida foi proposta pelo suplente e aprovada em plenário.
Morão está no segundo mandato como vereador em Santo Antônio de Jesus. Ele foi eleito pela primeira vez em 2020, com 1.572 votos. O retorno do parlamentar ocorre em meio a um cenário de incertezas quanto ao seu futuro político, já que o processo de cassação pode levar à perda do mandato.



