Moradores de Carmo do Cajuru criticam restauração de estátuas sacras
A restauração das esculturas do Monumento do Calvário de Jesus, em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais, gerou uma onda de críticas, piadas e questionamentos entre os moradores. As pinturas, que descaracterizaram os rostos das imagens, foram removidas após a repercussão negativa.
O monumento está localizado na Praça do Cruzeiro, também conhecida como Praça Nossa Senhora Aparecida, no bairro Adelino Mano. A intervenção foi percebida pela população na quarta-feira (10). Os rostos, que antes eram brancos, ganharam sobrancelhas, cílios e lábios contornados de forma grosseira, fora dos traços originais das peças.
Conselho Pastoral remove pintura e busca nova intervenção
O Conselho Pastoral Nossa Senhora Aparecida, responsável pela contratação do serviço, informou que o resultado não foi o esperado. A pintura foi removida no mesmo dia, e as peças voltaram à cor branca original no rosto. Agora, elas passarão por um novo processo de intervenção, realizado por um profissional especializado, mas ainda não há data definida.
População manifesta descontentamento
Após os comentários ganharem as ruas da cidade, a população levou o descontentamento às redes sociais da Prefeitura. Moradores expressaram indignação: “Isso é depredação do patrimônio cultural. Tem que ser investigado e haver punição aos envolvidos”, disse um morador. “Pintaram o olho de Jesus todo torto também. Está um pior que o outro”, comentou outra pessoa. “Quem foi o artista que fez essa arte abstrata? Não ficou bonito. Alguém viu e não fez nada para impedir? Como assim?”, questionou um terceiro morador. “Minha Nossa Senhora… Quem foi a bênção que fez isso?”, escreveu outra internauta. “E vou te contar: ficou uma pintura borrada. Que feiura. Tadinha da imagem”, comentou mais uma moradora. “Que absurdo! Misericórdia. Isso é crime, gente. Não pode ficar assim. Quem fez uma atrocidade dessas precisa ser punido”, disse outra pessoa.
A Prefeitura informou que a manutenção do conjunto de esculturas não partiu da administração municipal.
Entenda o caso
Da noite para o dia, as esculturas sacras do Monumento do Calvário de Jesus deixaram de ser uma referência religiosa para os moradores da cidade, de quase 24 mil habitantes, e passaram a ser alvo de piadas e comentários. A aparência das peças, que ganharam sobrancelhas, cílios e lábios contornados de forma grosseira, assustou a população e o Conselho Paroquial, responsável pela contratação da restauração. Questionado pelo g1, o órgão preferiu não informar o nome da pessoa ou da empresa responsável pelo serviço, “por questões éticas”. Ainda segundo o Conselho, “as obras estavam desgastadas pelo tempo, porém não gostamos do resultado”. Já a Igreja Nossa Senhora do Carmo, também responsável pelo monumento, informou que as pinturas nos rostos das imagens foram feitas “de forma equivocada” e já foram removidas.
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