Presidente do Republicanos critica ausência de Cleitinho
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, avaliou que a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) concorrer ao governo de Minas Gerais não está consolidada e afirmou que ele “perdeu o timing”. A declaração ocorre após Cleitinho ter sinalizado, por meio de um vídeo nas redes sociais, que entraria na disputa, mas ter faltado à convenção estadual do partido no último sábado.
“Acho que ele perdeu o timing. Foi dada a oportunidade de ele ir na convenção e não foi”, disse Pereira ao jornal O Globo. A convenção definiu as candidaturas locais, e a ausência do senador foi vista como um desalinhamento com a direção partidária.
A definição sobre o aval do partido à candidatura de Cleitinho deve ocorrer nesta quarta-feira, segundo Pereira. No entanto, não há previsão de reunião entre o senador e o presidente nacional. O tema será tratado pelo diretório mineiro do Republicanos.
Candidatura incerta impacta palanque de Flávio Bolsonaro
Mesmo com a sinalização de Cleitinho, a expectativa interna do partido é que ele não seja candidato. Nesse cenário, o Republicanos se encaminha para apoiar o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP) como candidato a governador. O PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, também já indicou que embarcará em uma candidatura encabeçada pelo PP.
O nome de Aro vinha sendo citado pelas cúpulas nacionais do Republicanos e do PL desde a semana passada, numa tentativa de unir os partidos do Centrão em Minas Gerais em torno da candidatura de Flávio. Contudo, os partidos aguardam uma definição sobre a entrada ou não de Cleitinho na disputa para fechar o acordo. A indefinição tem atrasado o palanque presidencial de Flávio no segundo maior colégio eleitoral do país.
O PT também enfrentou dificuldades no estado, mas, após meses de indefinições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu fechar um acordo para lançar o deputado Patrus Ananias (PT) como candidato.
Pesquisas mostram liderança de Cleitinho
A eleição mineira tem sido uma das mais imprevisíveis, com diversas reviravoltas. Cleitinho, que lidera as pesquisas, tem dado sinais contraditórios desde o fim do ano passado sobre sua candidatura. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira aponta que o senador lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno. Em um dos cenários de primeiro turno, ele pontua 35%, seguido por Alexandre Kalil (PDT), com 12%, e Patrus Ananias (PT), com 10%. O governador de Minas, Matheus Simões (PSD), aparece em quarto lugar, com 6%.
Apesar da vantagem nas intenções de voto, Cleitinho sempre fez mistério sobre a disputa. O cenário se agravou após a morte do irmão Matheus Azevedo, no último dia 18 de julho, o que o levou a se ausentar da convenção estadual do Republicanos na semana seguinte.
Tragédia pessoal e vídeo com IA marcam indecisão
Cleitinho ainda não se pronunciou publicamente sobre a decisão, mas divulgou nas redes sociais um vídeo feito com inteligência artificial em que conversa com o pai José Maria de Azevedo e o irmão Matheus, ambos falecidos. Na gravação, diz estar “inseguro, em dúvida e com medo”. Os familiares o incentivam, e o irmão aparece carregando a bandeira de Minas Gerais. Na legenda, Cleitinho escreveu: “seguirei na missão”. A peça foi interpretada como um recado de que ele vai entrar na disputa.
O deputado estadual Eduardo Azevedo (PL-MG) e o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Republicanos), irmãos do senador, confirmaram que ele quer concorrer a governador.
Atritos com a direção nacional do partido
Não é o primeiro desentendimento na relação entre Cleitinho e Marcos Pereira. Em junho, o senador criticou Pereira em entrevista à newsletter Jogo Político, do Globo. “Ele garante que me dará a legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, tenho nojo de qualquer coisa que envolva o partido”, afirmou na ocasião. Cleitinho também criticou o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que se filiou ao Republicanos e tenta uma vaga de deputado federal por Minas.
A indefinição em torno da candidatura de Cleitinho mantém o cenário eleitoral mineiro em aberto, com impactos diretos nas alianças nacionais e estaduais.



