Unifap: estudantes denunciam onda de maus-tratos e mortes de animais no campus
Unifap: denúncias de maus-tratos e mortes de animais

Estudantes da Universidade Federal do Amapá (Unifap), no campus Marco Zero, em Macapá, relatam uma sequência de maus-tratos e mortes de animais comunitários. As agressões, que ocorrem com mais frequência nos períodos de recesso acadêmico, incluem envenenamento, uso de cola de sapateiro em pelagem e a decapitação de uma gata. As denúncias partem de voluntários do Projeto Mi-au, grupo que atua de forma independente na proteção dos cães e gatos que vivem na universidade.

Relatos de violência e desaparecimentos

Ao g1, o estudante de Ciências Biológicas e voluntário do projeto, Wevertom Lorran, relatou a gravidade dos episódios recentes e apontou que os crimes se intensificam quando a circulação no campus diminui. "Esses casos já vêm acontecendo há bastante tempo, já tem mais de um ano. São casos de maus-tratos e também de desaparecimentos de bichinhos. Recentemente, teve o caso da gatinha que teve cola de sapateiro espalhada pela pelagem e agora essa decapitação. São casos recorrentes apenas no período de recesso, quando não há fluxo de pessoas", afirmou Lorran.

Mutilações e corpos em blocos acadêmicos

Segundo os alunos, os relatos de violência se concentram nos blocos de Ciências Biológicas, Ambientais e Física, onde há maior presença dos animais. Na última semana, a cabeça de uma gata desaparecida foi achada próxima aos blocos por uma funcionária da limpeza. Em outro ponto, debaixo das arquibancadas do ginásio, um felino foi encontrado morto com a mandíbula quebrada e sinais de espancamento.

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Episódios de envenenamento também assustam a comunidade universitária. Um dos casos envolveu um cão comunitário conhecido como "Marginal", que morreu em frente ao prédio da Pró-Reitoria de Extensão e Ações Comunitárias (Proeac). Em um caso anterior, um laudo pericial já havia confirmado a morte por envenenamento do cão "Leão".

Cobrança por segurança e punição

O g1 procurou a Delegacia de Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), que informou desconhecer os episódios registrados no campus. Também foi solicitado posicionamento à Reitoria da Unifap sobre as denúncias de maus-tratos, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

A comunidade acadêmica cobra a instalação de câmeras de monitoramento, iluminação e o estabelecimento de políticas públicas para a proteção dos animais no campus. A legislação brasileira (Lei nº 14.064/2020) estabelece pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda, para quem comete crimes contra cães e gatos.

O Projeto Mi-au, que atua na proteção dos animais, tem registrado os casos e busca apoio da comunidade para pressionar as autoridades. A situação é agravada pela falta de segurança no campus, especialmente durante os períodos de férias escolares, quando a presença de pessoas é reduzida.

Os voluntários destacam que a violência contra os animais não é apenas um problema ético, mas também um indicativo de riscos à segurança da comunidade acadêmica. Eles pedem que a universidade adote medidas concretas, como a instalação de câmeras e a melhoria da iluminação, além de campanhas de conscientização.

A Unifap ainda não se manifestou sobre as denúncias, e a Dema afirma não ter conhecimento dos casos. A comunidade espera que as investigações sejam abertas e que os responsáveis sejam punidos conforme a lei.

Enquanto isso, os animais continuam vulneráveis, e os estudantes fazem um apelo para que a sociedade se mobilize e cobre das autoridades a proteção dos animais no campus.

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