Coletor flutuante da UFRJ ajuda pescadores a retirar lixo da Baía de Guanabara
UFRJ cria coletor flutuante para retirar lixo da Baía de Guanabara

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) criaram um coletor flutuante de lixo que pode ser acoplado às embarcações de pescadores para retirar resíduos da água durante a atividade pesqueira na Baía de Guanabara. O equipamento, desenvolvido no âmbito do projeto Orla Sem Lixo, está em fase de testes na Enseada do Fundão, onde o acúmulo de lixo na superfície e nas margens compromete diretamente a pesca artesanal.

Impacto na pesca artesanal

Redes de pesca frequentemente retornam carregadas de resíduos, prejudicando o trabalho e reduzindo a renda dos pescadores. Segundo o pescador Sergio Carvalho, a poluição atrapalha intensamente a atividade: “Na pescaria artesanal que a gente faz atrapalha muito. Quando a gente solta uma rede, vem 90% de lixo.” O relato ilustra a gravidade do problema na região, que afeta diretamente a subsistência das comunidades pesqueiras.

Funcionamento do coletor

O dispositivo opera como um catamarã-coletor. Sua estrutura consiste em uma gaiola fixada a dois compartimentos flutuantes, mantendo parte do equipamento submersa. Uma rampa direciona o lixo flutuante para dentro do compartimento, onde os resíduos são armazenados até a retirada. A proposta é utilizar o coletor principalmente próximo a praias e barreiras de contenção instaladas na Enseada do Fundão. O projeto é fruto de parceria entre a Petrobras e o curso de Engenharia Naval da UFRJ.

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Susana Vinson, professora de Engenharia Costeira da UFRJ, explica que o objetivo é impedir que os resíduos avancem para a orla e criar um modelo de baixo custo replicável em outras comunidades pesqueiras. Já a gerente de projetos ambientais da Petrobras, Michele Gomes Cardoso, destaca que a iniciativa visa reduzir a quantidade de resíduos sólidos na Baía de Guanabara e minimizar impactos à biodiversidade e à população.

Segurança e renda para pescadores

Além da coleta de lixo, o equipamento busca tornar o trabalho dos pescadores mais seguro. Renato de Reis de Oliveira, presidente da Associação de Pescadores da Prainha, afirma: “Vai dar mais segurança. Não tem que botar a mão no lixo. Já passa coletando.” Após a coleta, os resíduos passam por pesagem e triagem. Parte do plástico é encaminhada para reciclagem química, aquecido e transformado novamente em matéria-prima para novos produtos.

Resultados e perspectivas

A Petrobras espera ampliar o projeto para outras áreas da Baía de Guanabara. A iniciativa também prevê remunerar os pescadores pelo serviço de coleta, unindo preservação ambiental e geração de renda. O coletor deve atuar em conjunto com outras ações, como as ecobarreiras. De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que mantém 17 ecobarreiras em rios que deságuam na baía, essas estruturas impediram que mais de 3,3 mil toneladas de resíduos chegassem à baía no primeiro semestre de 2026.

Para Sergio Carvalho, a recuperação ambiental já traz reflexos positivos: “A vida marinha melhorou muito. Hoje a gente voltou a encontrar espécies que antes não apareciam mais por aqui. Eu me sinto um felizardo.” O projeto representa um passo importante na conciliação entre preservação ambiental e sustento de comunidades tradicionais.

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