UFMG cria fertilizantes sustentáveis com resíduos industriais
UFMG cria fertilizantes sustentáveis com resíduos

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estão desenvolvendo fertilizantes sustentáveis a partir de resíduos das indústrias de laticínios, açúcar e azeite de oliva. O objetivo é reaproveitar materiais que seriam descartados para criar grãos capazes de fortalecer o solo, aumentar a produtividade agrícola e reduzir impactos ambientais. Os estudos são conduzidos por equipes da universidade, que analisam os nutrientes presentes nos resíduos e o processo necessário para transformá-los em fertilizantes.

Redução da dependência de importações

Segundo os pesquisadores, a iniciativa também busca reduzir a dependência do Brasil de produtos importados. O país importa grande parte dos fertilizantes utilizados na agricultura, o que o torna vulnerável a instabilidades geopolíticas e variações de preço no mercado internacional. Ao recuperar nutrientes de fontes alternativas, o projeto pretende fortalecer a autonomia do setor agrícola nacional.

“O Brasil hoje importa muito fertilizante, e a gente precisa buscar sempre alternativas para reduzir essa nossa dependência do mercado externo de instabilidades geopolíticas. Então, se a gente consegue recuperar esses nutrientes de fontes alternativas e atender essa demanda do mercado, a gente caminha para um setor agrícola que é mais independente”, explicou Victor Rezende Moreira, professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG.

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Liberação gradual de nutrientes

Os fertilizantes desenvolvidos pela pesquisa liberam nutrientes no solo de forma gradual. Com isso, as plantas conseguem absorver esses elementos por mais tempo, o que favorece o crescimento da vegetação. Esse mecanismo é especialmente benéfico para solos degradados, que necessitam de reposição nutricional constante.

Na Estação Ecológica da UFMG, em Belo Horizonte, os pesquisadores avaliam os efeitos dos produtos em áreas degradadas. Os testes são realizados com mudas de alface e oliveiras para verificar o desenvolvimento das plantas e a recuperação do solo. A estudante de Engenharia Ambiental Izabella Barroso, que participa da pesquisa, destacou o impacto ambiental da iniciativa.

“A gente consegue pegar esses resíduos que algumas vezes são até descartados de forma errada, trazer um tratamento correto e devolver para a indústria. Então, isso é ótimo para o meio ambiente”, disse.

Resultados iniciais positivos

O projeto integra uma série de pesquisas voltadas à preservação ambiental e ao uso mais eficiente do solo, especialmente na agricultura. A expectativa é que, após a conclusão dos estudos, os fertilizantes possam ser utilizados na recuperação de áreas degradadas. De acordo com Victor Moreira, os resultados iniciais são positivos.

Os pesquisadores observam que a combinação de matéria orgânica com nutrientes recuperados tem apresentado desempenho superior ao de outros fertilizantes avaliados. “Estudos que começaram no ano passado, mas que já demonstram resultados bem positivos. A gente vê que quando a gente combina a matéria orgânica com os nutrientes que são recuperados, as plantas e o solo respondem de uma forma muito melhor e têm um melhor desempenho, maior crescimento, maior número de folhas, maior produtividade”, afirmou.

Impacto ambiental e perspectivas futuras

Além de reduzir o descarte inadequado de resíduos industriais, a pesquisa contribui para a economia circular, devolvendo materiais que seriam descartados ao ciclo produtivo. A iniciativa também pode gerar benefícios econômicos, ao diminuir os custos com fertilizantes importados e ao oferecer uma alternativa nacional para o setor agrícola.

Os pesquisadores pretendem ampliar os testes em diferentes culturas e condições de solo, avaliando a viabilidade técnica e econômica dos fertilizantes em larga escala. A continuidade do projeto depende de financiamento e parcerias com o setor produtivo, mas os resultados preliminares indicam um caminho promissor para a sustentabilidade agrícola no Brasil.

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