Três homens foram flagrados pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte realizando extração ilegal de areia em uma área de preservação ambiental no bairro Lagoa Azul, Zona Norte de Natal, na manhã desta quarta-feira (29). A ação foi conduzida por equipes do Comando de Policiamento da Capital (CPC), por meio do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPM), com apoio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAMB).
Flagrante com uso de drone
No momento da abordagem, os policiais encontraram os três suspeitos – com idades de 35, 38 e 55 anos – operando uma retroescavadeira para retirar areia de forma irregular. Dois caminhões já estavam carregados com o material extraído, enquanto um terceiro veículo de carga conseguiu deixar o local ao perceber a aproximação das equipes. A atividade ocorria em meio à vegetação densa, com acesso por uma passagem estreita e de difícil visualização, estrategicamente escolhida para dificultar a fiscalização.
Com o auxílio de um drone, os policiais conseguiram mapear a extensão da área degradada, revelando uma significativa supressão de vegetação e alteração no relevo. A tecnologia permitiu documentar a magnitude do dano ambiental, que será utilizada como prova no inquérito.
Crime ambiental e responsabilização
A extração irregular de areia é crime previsto na Lei nº 9.605/1998, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente. Além disso, a exploração de recursos minerais sem autorização constitui ilegalidade, uma vez que a areia é considerada bem da União. Segundo a Polícia Militar, os envolvidos serão indiciados por crime ambiental e também responderão por exploração ilegal de recurso mineral.
O Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAMB) foi responsável pelos procedimentos de flagrante e pela lavratura do auto de infração. Os três homens foram conduzidos à delegacia especializada, onde permanecem à disposição da Justiça. Eles estão sujeitos a multas que podem ultrapassar R$ 50 mil, além de penas de reclusão de um a três anos, conforme agravantes.
Impacto ambiental e fiscalização
A área afetada faz parte de um ecossistema frágil, com vegetação nativa de restinga e importância para a biodiversidade local. A remoção da areia compromete o solo, facilita a erosão e prejudica a fauna e a flora. Ações como essa são recorrentes na região, e a Polícia Militar intensificou o patrulhamento com uso de drones e denúncias anônimas.
A PMRN reforçou que a população pode contribuir com denúncias pelo telefone 190. A extração ilegal de areia é uma das principais causas de degradação ambiental no Rio Grande do Norte, afetando especialmente áreas costeiras e de preservação permanente.
A ocorrência foi registrada no 4º BPM e comunicada ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), que deverá realizar perícia técnica para quantificar os danos e aplicar as sanções administrativas cabíveis.



