O Super El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na costa do Peru, deve intensificar a ocorrência de eventos climáticos extremos no Brasil nos próximos meses. Segundo especialistas ouvidos pelo Fantástico, o fenômeno já começou a influenciar o clima e tende a favorecer tempestades severas e enchentes, especialmente na Região Sul do país.
Antecipação da influência do El Niño
De acordo com os meteorologistas, o excesso de chuva registrado recentemente no Sul do Brasil já indica uma antecipação da influência do El Niño. "O que a gente vem observando é uma antecipação de potencial influência desse fenômeno nesse excesso de chuva que a gente viu recentemente no Sul do país", afirma um especialista ouvido na reportagem. O fenômeno já está formado e seus efeitos devem se intensificar ao longo dos próximos meses.
"Ele agora já está influenciando. Já está favorecendo essas tempestades severas, inundações no Sul, e o pico que se espera desses eventos deve acontecer daqui a alguns meses", acrescenta o especialista. A previsão ocorre em um momento em que diferentes partes do mundo enfrentam uma sequência de desastres relacionados ao clima.
Cenário global de desastres climáticos
Na Europa, incêndios florestais ganharam força com o aumento das temperaturas. Índia e China registraram enchentes e ondas de calor, enquanto o Chile enfrentou nevascas e inundações. No Brasil, o Rio Grande do Sul foi atingido por chuva intensa, granizo e tornados, eventos que os especialistas associam à influência do El Niño.
Vendaval no Rio e em SP não tem relação com o El Niño
Apesar da influência do fenômeno sobre parte dos eventos extremos registrados no país, os especialistas ressaltam que nem todos os temporais recentes podem ser atribuídos ao El Niño. É o caso do vendaval que atingiu São Paulo e o Rio de Janeiro. Segundo a reportagem, a tempestade foi provocada pelo encontro de uma massa de ar muito frio, que avançou do Sul, com uma massa de ar mais quente que predominava sobre o Sudeste. Quanto maior a diferença de temperatura entre essas massas de ar, mais intensas tendem a ser as rajadas de vento.
Atmosfera mais quente favorece extremos
A reportagem também destaca que uma atmosfera mais quente se torna mais turbulenta e imprevisível, o que dificulta as previsões meteorológicas e aumenta a necessidade de prevenção. Segundo os especialistas, diante da chegada de um Super El Niño, o Brasil deve se preparar para uma probabilidade maior de eventos climáticos extremos até o fim do ano.



