Uma sucuri-amarela de aproximadamente 2,5 metros foi retirada de uma rede de pesca antiga e abandonada na margem do Rio Salobra, no Pantanal de Miranda, em Mato Grosso do Sul. O salvamento ocorreu durante um passeio de barco conduzido pelo guia Nadir Silva, que avistou a serpente enrolada sob a vegetação e decidiu interromper o trajeto para cortar as malhas que prendiam o animal.
Corte das malhas e momento do resgate
Segundo Nadir, a equipe contou com a ajuda de outro piloto para se aproximar da margem sem assustar o animal. Com uma faca, o guia cortou os fios da rede velha, que já tinham causado ferimentos no corpo da sucuri. Ele estima que a cobra estava presa no local havia pelo menos dois dias.
Durante a ação, a serpente permaneceu calma e não ofereceu resistência. Depois de liberta, ela ficou por alguns instantes na margem, permitindo que os turistas acompanhassem o desfecho e fizessem registros fotográficos. “Ela está assim porque a salvamos. Estava enroscada em uma rede velha que alguém deixou. Graças a Deus conseguimos salvar, é mais uma vida”, relatou o guia em vídeo.
O resgate foi registrado pelo próprio Nadir e mostra o emaranhado de linhas ao redor do corpo do animal. A imagem reforça o alerta para o descarte irregular de equipamentos de pesca, um problema recorrente nos rios da região pantaneira.
De volta à natureza e corredor ecológico
Ao voltarem do passeio, a equipe constatou que a sucuri já havia se deslocado e retornado ao habitat natural. Para Nadir, o gesto vai além do salvamento: “Para nós é uma vida, seja cobra, onça ou passarinho. É um passeio, a gente nunca sabe o que vai acontecer. Hoje tivemos a oportunidade de salvar essa sucuri e ela está de volta para a natureza”, destacou.
O local do resgate é considerado um dos principais corredores ecológicos de Mato Grosso do Sul. O Rio Salobra percorre áreas próximas ao Parque Nacional da Serra da Bodoquena antes de desaguar no Rio Miranda, formando um ambiente essencial para a biodiversidade local.
Características da sucuri-amarela
A sucuri-amarela (Eunectes notaeus) é uma das espécies símbolo do Pantanal. Menor do que a sucuri-verde, ela mede em média entre 2,4 e 4,6 metros de comprimento e pesa de 30 a 40 quilos, com as fêmeas geralmente maiores que os machos.
O animal não é peçonhento. A espécie mata as presas por constrição, envolvendo o corpo da vítima até interromper o fluxo sanguíneo e a respiração. Vive em ambientes aquáticos e semiaquáticos, como pântanos, brejos, margens de rios, áreas alagadas e até entradas de cavernas. A dieta inclui aves, ovos, peixes, répteis e pequenos mamíferos, podendo capturar também animais maiores, como cervos, caititus e capivaras.



