SP pode universalizar saneamento até 2029, diz Sabesp
SP pode universalizar saneamento até 2029, diz Sabesp

No Fórum Estadão Loteamento Urbano 2026, realizado nesta segunda-feira, 3, a secretária de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, Natália Resende, afirmou que o saneamento é o setor de infraestrutura mais complexo de viabilizar. Ela destacou a coragem do Estado em enfrentar passivos históricos que ficaram de fora dos contratos anteriores da Sabesp, citando exemplos como Salesópolis, onde 4,3 mil domicílios eram atendidos, mas 3,8 mil estavam excluídos, e o Vale do Ribeira, onde 40% da população estava fora da área contratada. Em Guarulhos, o índice de tratamento de esgoto era de apenas 2% a 3% em 2019.

Universalização até 2029

O presidente da Sabesp, Carlos Augusto Leone Piani, confirmou a meta de universalizar o saneamento nos 371 municípios de sua área de atuação até 2029, antecipando o prazo original de 2033 do Novo Marco Legal. A meta inclui garantir 99% de água tratada e 90% de coleta e tratamento de esgoto. Piani reconheceu que o passivo é gigantesco, mesmo no estado mais rico do Brasil, mas reafirmou o compromisso: “É um esforço contínuo, vai demorar alguns anos, mesmo de forma antecipada, que é o nosso compromisso até 2029”.

Desde a privatização, completada em julho de 2024, 2,3 milhões de pessoas ganharam acesso à água potável, 2,6 milhões à coleta de esgoto e 5,3 milhões ao tratamento de água. Piani revelou que a empresa não tinha um planejamento completo para as obras, e o que parecia ser um trabalho de três meses levou cerca de um ano. Apesar do atraso, foi possível estruturar um programa em quatro ondas de contratação, com a terceira em conclusão e a quarta sendo contratada, abrangendo 334 municípios. Restam 37 cidades, cuja contratação deve ser concluída no segundo semestre.

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Desafios e tecnologia

Diego Allan, diretor-presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), destacou os desafios de chegar a áreas rurais sem acesso ao tratamento. Ele mencionou que há 1,2 mil obras em andamento com contrato com a Sabesp e que a agência tem avançado em tecnologia da informação e georreferenciamento para melhorar as inspeções. Para dar conta da demanda, a Arsesp prepara a convocação de mais de cem profissionais aprovados em concurso público, reforçando as equipes de fiscalização e regulação.

Allan enfatizou que o crescimento do volume de obras exigiu um esforço de reestruturação semelhante ao da concessionária. “É um avanço muito grande”, afirmou, destacando o modelo de fiscalização baseado em análise de riscos.

Papel dos loteadores

Caio Portugal, presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano do Brasil (Aelo), ressaltou que os loteadores são investidores históricos e fundamentais no saneamento, especialmente nas áreas de concessão da Sabesp. Para ele, o sucesso da universalização depende da convergência de investimentos e de regras claras sobre responsabilidades financeiras e técnicas de cada parceiro.

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