O Rio Tietê amanheceu coberto por uma espuma branca e tóxica no trecho que passa pelo município de Salto, no interior de São Paulo. Imagens de drone registradas nesta terça-feira (28) revelam a extensão da poluição, com níveis baixos de água e pedras expostas. O fenômeno, que se repete anualmente, é agravado pela estiagem e pelo despejo de resíduos não tratados vindos da capital paulista.
Causas da espuma tóxica no Rio Tietê
De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, o Rio Tietê recebe cerca de 600 toneladas de lixo e poluentes por dia. Os resíduos de detergentes e outros produtos químicos, lançados sem tratamento, são agitados pela força das quedas d'água na cidade de Salto, formando a grande quantidade de espuma observada. A prefeitura local reforça que o problema é recorrente e que a solução depende do fim do lançamento de esgoto sem tratamento pelas cidades da Grande São Paulo.
“Todo ano esse fenômeno acontece aqui em Salto e só acabaria se as cidades da Grande São Paulo cessassem o lançamento da poluição”, afirma nota da Prefeitura de Salto.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que mantém fiscalização na região e, desde março de 2025, já realizou mais de 400 inspeções na área. Apesar dos esforços, a espuma tóxica continua a se formar, especialmente nos períodos de seca.
Riscos à saúde e orientações oficiais
A paisagem atrai visitantes ao Complexo Turístico da Cachoeira, mas a Defesa Civil e a prefeitura alertam que a espuma é tóxica. O contato com a pele e os olhos pode causar irritação, sendo recomendado que as pessoas, especialmente turistas, não se aproximem. A orientação é evitar qualquer contato direto com a espuma e procurar atendimento médico em caso de exposição.
Impacto ambiental e medidas de controle
O fenômeno não é isolado. Em outros trechos do Tietê, como no noroeste paulista, o excesso de algas formou tapetes verdes, e análises detectaram aumento de compostos químicos indicando piora da poluição. A Cetesb reforça que continuará com as inspeções e ações de fiscalização para coibir o lançamento irregular de poluentes. No entanto, especialistas apontam que a solução definitiva depende de investimentos em saneamento básico nas regiões metropolitanas.
Histórico e recorrência do problema
A espuma tóxica em Salto é um evento já conhecido, registrado anualmente. A prefeitura local destaca que a poluição vem principalmente da capital e de cidades da Grande São Paulo, que despejam esgoto sem tratamento no rio. A situação se agrava com a falta de chuvas, que reduz a vazão e concentra os poluentes. Enquanto não houver uma solução estrutural, o ciclo deve se repetir.



