Rato-candango: mistério de Brasília que pode ter desaparecido para sempre
Rato-candango: mistério de Brasília pode ter sumido

Um pequeno roedor descoberto durante a construção de Brasília tornou-se um dos maiores enigmas da fauna brasileira. Conhecido por apenas nove exemplares coletados na década de 1960, o rato-candango (Juscelinomys candango) jamais foi registrado novamente na natureza, apesar de dezenas de expedições realizadas ao longo das últimas seis décadas.

Classificação de risco e desaparecimento

As informações constam na ficha de avaliação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que classifica a espécie como Criticamente em Perigo, Possivelmente Extinta (CR-PEX). Segundo o documento, o animal era conhecido apenas da Fundação Zoobotânica de Brasília, no Distrito Federal, área que foi completamente transformada pela expansão urbana da capital federal.

Além da raridade, o rato-candango chama a atenção por suas adaptações ao ambiente. O animal possuía hábitos semifossoriais, vivendo em túneis escavados no solo. Seus ninhos tinham duas entradas na superfície, que convergiam para uma câmara esférica localizada cerca de 80 centímetros abaixo da terra. O interior era revestido por fragmentos de gramíneas e raízes finas.

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Características físicas e biologia desconhecida

Os poucos exemplares conhecidos permitiram descrever algumas características físicas da espécie. O rato-candango pesava aproximadamente 90 gramas, tinha pelagem castanho-alaranjada intensamente marcada por pelos pretos no dorso, cauda curta, grossa e densamente coberta por pelos, além de garras dianteiras desenvolvidas, provavelmente utilizadas para escavar o solo.

Apesar dessas informações, praticamente nada se sabe sobre sua biologia. A ficha técnica do ICMBio informa que não existem dados sobre reprodução, tamanho populacional ou comportamento da espécie, reflexo do pequeno número de indivíduos estudados antes de seu desaparecimento. O documento destaca que diversas tentativas de localizar novos exemplares foram realizadas desde a década de 1960, mas nenhuma foi bem-sucedida.

Urbanização como principal ameaça

Para os especialistas, a transformação da área original de ocorrência em ambiente urbano é apontada como a principal explicação para o desaparecimento do animal. A expansão de Brasília sobre o Cerrado teria eliminado o habitat do rato-candango antes mesmo que cientistas pudessem estudá-lo adequadamente.

Mesmo diante desse cenário, a espécie ainda não é considerada oficialmente extinta pelo Brasil. Ela permanece na lista nacional de espécies ameaçadas e integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Mamíferos de Áreas Abertas. Entre as prioridades apontadas pelos especialistas está a realização de novas pesquisas para verificar se ainda existem populações remanescentes em áreas pouco amostradas do Cerrado.

Futuro incerto

Caso nenhuma população seja encontrada, o rato-candango poderá entrar para um grupo extremamente restrito de mamíferos brasileiros que desapareceram antes mesmo de terem sua história natural completamente conhecida. Até hoje, os nove exemplares coletados durante a construção de Brasília continuam sendo praticamente toda a informação científica disponível sobre a espécie.

O mistério persiste: será que o rato-candango ainda existe em algum refúgio do Cerrado, ou já se juntou à lista de espécies extintas do Brasil? As próximas expedições podem trazer a resposta.

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