O Cerrado, segunda maior formação vegetal do Brasil, que originalmente cobria cerca de 25% do território nacional, hoje possui menos de 20% de sua área original, com apenas 2% protegidos em unidades de conservação. A pecuária extensiva e a agricultura mecanizada de soja, milho e algodão são as principais causas da destruição desse bioma.
Para o preparo do solo, as queimadas são frequentemente utilizadas por terem baixo custo. Além disso, tocos de cigarro descartados na mata, combinados com temperaturas elevadas, tempo seco e baixa umidade, contribuem para a propagação do fogo. No entanto, o fogo também pode ter origens naturais, como acúmulo de biomassa seca, descargas elétricas, combustão espontânea ou atrito entre rochas e pelos de animais com a vegetação seca.
Quando originado por fatores naturais, o fogo pode ser benéfico para o Cerrado. Ele auxilia na germinação de sementes que necessitam de choque térmico para quebrar a dormência, além de contribuir para a ciclagem de nutrientes do solo. As queimadas também explicam as formas retorcidas das árvores e suas cascas espessas, que funcionam como defesa contra o fogo.
O bioma possui rápida capacidade de recuperação, rebrotando em curto período e atraindo herbívoros em busca de forragem nova. Aves como anus, carcarás e seriemas seguem as queimadas para se alimentar de insetos e répteis atingidos pelo fogo.
Porém, a intensificação das queimadas pelo homem, sem manejo adequado, causa degradação ambiental, esgotamento do solo, erosão e perda de biodiversidade. O desafio está em equilibrar o uso do fogo como ferramenta natural e os impactos negativos das queimadas descontroladas.



