Inea recomenda mudanças no descarte de esgoto em Itaipu
Inea recomenda mudanças no descarte de esgoto em Itaipu

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) encaminhou ao Ministério Público um parecer técnico no qual recomenda alterações no descarte de esgoto da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Itaipu, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. O documento conclui que a continuidade do lançamento atual mantém pressões ambientais sobre o sistema lagunar de Itaipu e indica a necessidade de investimentos para tratamento de efluentes.

O que aponta o documento

Segundo o parecer, que foi enviado ao Ministério Público, a atual forma de descarte não é sustentável a médio e longo prazo. O texto ressalta que, para reduzir os impactos, seria necessário avaliar um novo local para a destinação dos efluentes, além de investimentos em infraestrutura de tratamento. A recomendação, portanto, não se limita a uma mudança pontual, mas a uma reavaliação do modelo existente.

A ETE de Itaipu é responsável pelo tratamento do esgoto coletado em parte da região oceânica de Niterói. O sistema lagunar de Itaipu, formado pelas lagoas de Itaipu e Piratininga, é uma área de grande sensibilidade ambiental, com presença de manguezais e diversas espécies da fauna e flora. O lançamento de efluentes tratados, ainda que dentro dos parâmetros legais, pode representar um fator de pressão adicional sobre esse ecossistema.

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Pressão ambiental e preocupação de moradores

O ponto de descarte da ETE de Itaipu ganhou recentemente uma placa instalada pela Associação de Amigos da Região de Itaipu e Camboinhas (Amadarcy), com críticas à concessionária responsável pelo serviço. A iniciativa reflete a preocupação de moradores e ambientalistas com os possíveis impactos do lançamento contínuo de efluentes nas lagoas e no mar da região.

A Amadarcy tem histórico de atuação em defesa do meio ambiente local e já havia manifestado, em outras ocasiões, a necessidade de maior transparência em relação aos dados de qualidade da água e ao funcionamento da estação. A placa no ponto de descarte é mais um capítulo dessa mobilização, que acompanha de perto o desenrolar das tratativas entre o Inea, a concessionária e o Ministério Público.

Sistema lagunar de Itaipu

O sistema lagunar de Itaipu é composto pelas lagoas de Itaipu, Piratininga e outras menores, interligadas por canais. A região abriga um ecossistema de manguezal e é considerada berçário para diversas espécies marinhas. A qualidade da água dessas lagoas é influenciada diretamente pelo que chega a elas, incluindo efluentes domésticos tratados ou não.

A pressão sobre o sistema vem de diversas fontes: ocupação urbana, poluição difusa e o próprio descarte da estação de tratamento. O parecer do Inea, ao apontar a necessidade de mudanças, reconhece que o equilíbrio do ecossistema está em risco.

Necessidade de investimentos em tratamento

O parecer do Inea não detalha os valores ou cronogramas, mas afirma que os investimentos em tratamento de efluentes são fundamentais para reduzir as pressões ambientais. A recomendação de avaliar um novo local de descarte indica que a solução pode passar por mudanças na infraestrutura, como a construção de um emissário submarino ou a transferência do lançamento para uma área com maior capacidade de diluição.

Especialistas em gestão de recursos hídricos apontam que a definição do melhor ponto de descarte envolve estudos de correntes marítimas, batimetria e impacto na biota. No caso de Itaipu, a proximidade com unidades de conservação e áreas de proteção ambiental torna o tema ainda mais delicado.

Próximos passos

Com o documento em mãos, o Ministério Público estadual deve analisar as recomendações e decidir sobre eventuais cobranças ou ajustes no contrato de concessão. A concessionária responsável pela ETE de Itaipu terá de se manifestar sobre a viabilidade técnica e econômica das mudanças propostas.

Enquanto isso, a população permanece atenta. A placa instalada pela Amadarcy serve como um lembrete visual de que a questão ambiental segue em aberto. A continuidade do descarte atual, conforme o Inea, mantém as pressões sobre o sistema lagunar, o que reforça a urgência de uma solução definitiva para o esgoto da região.

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A expectativa é que o caso avance nos próximos meses, com a definição de um cronograma para os estudos e obras necessárias. A preservação do sistema lagunar de Itaipu, um dos cartões-postais naturais de Niterói, depende dessas decisões.