Incêndios na Europa devastam França e Espanha; 300 mil deixam casas
Incêndios na Europa devastam França e Espanha

Em Laporte, uma das áreas mais atingidas pelos incêndios na região de Bordeaux, no sudoeste da França, o fogo consumiu casas, construções e espaços de convivência. A equipe do Fantástico esteve no local e encontrou moradores tentando lidar com a destruição deixada pelas chamas.

“Aqui havia um galpão, uma pequena cabana onde nos reuníamos e fazíamos as refeições. Tudo isso foi construído com as nossas próprias mãos”, contou um morador.

Balanço da devastação na Europa

Segundo estimativa da União Europeia, cerca de 435 mil hectares já foram queimados neste ano na Europa Ocidental — área equivalente a aproximadamente três vezes o território da cidade de São Paulo. Somente na última semana, cerca de 300 mil pessoas precisaram deixar suas casas na França e na Espanha, os países mais afetados pelos incêndios.

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Enquanto aeronaves lançavam água sobre as áreas em chamas e bombeiros enfrentavam o avanço do fogo, moradores tiveram poucos minutos para abandonar tudo. “Acho que todos os moradores que puderam estar aqui hoje estão unidos. Essa é a nossa força”, disse uma das vítimas da evacuação.

Resgate de moradores e animais deixados para trás

Além do resgate de pessoas, voluntários se mobilizaram para salvar animais que ficaram nas áreas de risco. Um dos grupos mantém veículos prontos para partir a qualquer momento com equipamentos de resgate, ração e materiais de primeiros socorros. Em uma das operações, um homem conseguiu recuperar os três cachorros da família que estavam em uma casa de férias ameaçada pelas chamas. “É só felicidade. Não conseguimos descrever a alegria de reencontrá-los”, afirmou.

Testemunhos de quem fugiu das chamas

A brasileira Solange, que trabalha em um camping na região, precisou abandonar o local e foi acolhida pelo patrão depois que o fogo se aproximou. “Fiquei assustada. A fumaça cobriu tudo e a gente nem conseguia respirar direito”, contou.

No aeroporto de Bordeaux, o brasileiro Robson acompanhou a aproximação das chamas, que chegaram a cerca de 15 quilômetros do terminal. “É meio apocalíptico. A primeira noite foi a mais assustadora, porque a fumaça entrou no apartamento”, relatou.

O que torna o fogo tão difícil de combater

Especialistas explicam que a combinação entre longos períodos de seca, temperaturas elevadas e ventos fortes dificulta o combate aos incêndios. Um fenômeno raro também preocupa: as chamadas nuvens de fogo, formadas pelo intenso calor das queimadas. Elas podem produzir raios e rajadas de vento capazes de iniciar novos focos e ampliar ainda mais a propagação das chamas. Próximo ao fogo, a temperatura pode atingir entre 200 °C e 300 °C.

Abrigos improvisados e a espera pela volta para casa

Em Bordeaux, um parque de exposições foi transformado em abrigo improvisado para receber moradores retirados das áreas de risco. Equipes de assistência prestam apoio psicológico e social aos desabrigados enquanto aguardam autorização para retornar às casas.

Entre eles está Muriel, que espera voltar para casa assim que as autoridades liberarem a região. Outro morador, Gérard, de 87 anos, chegou ao abrigo levando apenas o instrumento que o acompanha há décadas. Nascido em 1939, ele sobreviveu à Segunda Guerra Mundial e à Guerra da Argélia. Agora, enfrenta mais um momento difícil. “Hoje eu preciso de amor e de paz”, disse.

Imagens que simbolizam a crise climática

As imagens da destruição também chamaram a atenção do fotógrafo francês Maximilian Lami, da agência France-Presse. Durante as férias, ele registrou uma cena que ganhou repercussão internacional e se tornou mais um símbolo do avanço dos incêndios que voltaram a colocar a crise climática no centro das preocupações da Europa.

Com novas ondas de calor previstas, autoridades francesas e espanholas seguem em alerta máximo e temem que a situação se agrave nos próximos dias, enquanto equipes continuam monitorando focos de incêndio na região.

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