Duas onças resgatadas no estado do Rio de Janeiro estão sob os cuidados do Ibama, que busca um novo lar para os animais. Elas estão no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Seropédica, na Baixada Fluminense, onde passam por avaliação de especialistas para saber se podem voltar à natureza.
De acordo com o Ibama, as duas onças consomem juntas cerca de 6 quilos de carne por dia. O número reflete a necessidade de uma estrutura robusta de manejo e alimentação, além de reforçar a importância de uma destinação adequada.
O que é o Cetas e como funciona a reabilitação
O Cetas de Seropédica é uma unidade do Ibama responsável por receber animais silvestres apreendidos, resgatados ou entregues voluntariamente. No espaço, os bichos são submetidos a exames clínicos, quarentena e processos de reabilitação, com o objetivo de reintegrá-los ao habitat natural sempre que houver segurança para a soltura.
No caso de felinos de grande porte, como as onças, o manejo é ainda mais complexo. Veterinários, biólogos e tratadores precisam observar o comportamento, a saúde e as condições físicas dos animais para garantir que eles mantenham os instintos necessários à sobrevivência na natureza.
Os critérios para a soltura
Uma onça só pode ser devolvida ao ambiente silvestre se demonstrar capacidade de caçar, se proteger e se orientar por conta própria. O histórico do animal é determinante: se ele foi criado em cativeiro ou teve contato prolongado com humanos, as chances de adaptação diminuem.
No caso das duas onças resgatadas no Rio, a resposta virá de um conjunto de laudos técnicos. A análise envolve não apenas a saúde clínica, mas também o comportamento dos animais em um ambiente controlado, como o recinto do Cetas de Seropédica.
Alternativas para um novo lar
Se a soltura for descartada, o Ibama precisará encontrar um novo lar definitivo. As opções incluem santuários, criadouros conservacionistas e zoológicos que atendam a requisitos rigorosos de bem-estar animal, com recintos amplos e equipes especializadas no trato de grandes felinos.
O instituto não informou quais instituições estão sendo avaliadas. A transferência, quando necessária, é feita de forma planejada com o objetivo de minimizar o estresse dos animais e garantir que eles mantenham uma rotina saudável.
A importância ecológica da onça-pintada
A onça-pintada (Panthera onca) exerce um papel central na manutenção do equilíbrio nos ecossistemas. Como predadora de topo, ela controla a população de outras espécies e contribui para a saúde das florestas. No Brasil, o felino ocorre na Amazônia, no Pantanal, na Mata Atlântica e no Cerrado, mas sofre com desmatamento, caça e atropelamentos.
O destino dado a esses dois animais, portanto, tem relevância que vai além do bem-estar individual. Cada ação de conservação conta para a preservação de uma espécie que é símbolo da biodiversidade brasileira.
O papel do Ibama na destinação de fauna silvestre
O Ibama é o órgão federal encarregado de fiscalizar e conservar a fauna silvestre brasileira. A destinação de animais apreendidos ou resgatados segue normas técnicas e análises individualizadas. Procedimentos como esses garantem que a decisão seja técnica e não política, priorizando sempre o bem-estar animal e a segurança pública.
Enquanto a avaliação das duas onças não é concluída, elas continuam no Cetas de Seropédica, recebendo os cuidados necessários. O Ibama não estipulou prazo para a decisão, mas garantiu que os animais estão em boas mãos.
O caso serve de alerta para a necessidade de proteger os habitats naturais e combater o tráfico de animais silvestres. Para as duas onças resgatadas, a esperança é que o futuro ofereça um espaço seguro, seja de volta ao ambiente selvagem ou em um lar que garanta dignidade e qualidade de vida.



