Cuba restabelece energia após quinto apagão; EUA impõem bloqueio petrolífero
Cuba restabelece energia após quinto apagão nacional

Cuba restabelece energia após quinto apagão; ministro culpa bloqueio dos EUA

Cuba restabeleceu completamente sua rede elétrica nesta quarta-feira, 15, após um terceiro apagão total em menos de dez dias na ilha, afetada pela escassez de combustível devido ao bloqueio petrolífero dos Estados Unidos. O país, com 9,6 milhões de habitantes, voltou a ficar sem eletricidade na terça-feira, 14, pouco antes do meio-dia, devido a uma falha que provocou um desequilíbrio “brusco” entre a geração e a demanda de energia. O serviço começou a ser restabelecido no mesmo dia, no final da noite, e foi totalmente reconectado nesta quarta-feira às 07h, horário local (8h em Brasília), segundo a empresa estatal de eletricidade UNE. Este foi o quinto apagão nacional desde o início do ano e o décimo desde o fim de 2024.

Impactos na saúde e alimentação

Os impactos da falta de energia elétrica em Cuba, no entanto, ainda afetam a população em serviços de distribuição de água, na saúde e no estoque de alimentos. Em janeiro deste ano, em um dos episódios anteriores de falta de energia, a ONU alertou para os impactos da crise energética para a saúde da população. De acordo com a organização, mais de 80% dos equipamentos de bombeamento de água em Cuba dependem de eletricidade, e os cortes de energia afetam o acesso a água potável, o saneamento e a higiene. A situação, segundo a declaração, tem repercussões diretas na qualidade de vida da população e no funcionamento de serviços básicos, agravando condições já difíceis em várias regiões do país. O escritório de direitos humanos informou que a falta de combustível também afeta o sistema de racionamento e a distribuição da cesta básica alimentar regulada. À época, o escritório alertou que unidades de cuidados intensivos e serviços de emergência são prejudicados pela crise energética, colocando em risco o funcionamento adequado de estruturas médicas.

Ministro declara 'guerra' energética

Nesta terça-feira, 14, o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, afirmou que há “uma total ausência de combustível” no País. “É praticamente uma guerra o que estamos vivendo”, comentou o ministro, insistindo que na ilha “há uma total ausência de combustível” e que o governo não tem acesso a peças de reposição para suas termoelétricas. “Isso ocorre fundamentalmente por causa da situação em que se encontra o nosso sistema elétrico, agravada após a ordem dos Estados Unidos”, afirmou o ministro. Washington, que mantém um embargo à ilha desde 1962, impôs em janeiro um bloqueio petrolífero a Cuba por ordem do presidente Donald Trump e só permitiu a chegada de um navio-tanque russo com 100.000 toneladas de petróleo bruto, o que piorou a crise energética.

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Rede elétrica vulnerável e histórico de apagões

Os dois cortes generalizados anteriores ocorreram na semana passada e, em ambos os casos, a companhia elétrica levou mais de 24 horas para restabelecer o serviço em toda a ilha, onde, no entanto, os apagões continuaram devido à baixa produção de eletricidade. Afetado por uma grave crise econômica, o país sofre regularmente com cortes de energia, generalizados ou parciais, devido à infraestrutura obsoleta e à escassez de combustível. Desde o bloqueio petrolífero, há dificuldade no abastecimento de combustível às usinas elétricas e aos geradores de reserva, que geralmente utilizam diesel importado. Esses motores servem de complemento às sete usinas térmicas que representam o pilar do sistema elétrico do país; com mais de 40 anos de operação, elas sofrem avarias constantes ou precisam ser paralisadas para manutenção.

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