Uma caixa contendo centenas de cavalos-marinhos mortos foi encontrada na Baía de Guanabara, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O caso, registrado por pesquisadores do Movimento Baía Viva, mobiliza a comunidade científica e expõe os graves impactos da pesca de arrasto sobre espécies que habitam águas profundas.
Espécie identificada e contexto da descoberta
A coordenadora do Projeto Cavalos-Marinhos, Natalie Freret, identificou os animais como pertencentes à espécie Hippocampus patagonicus, conhecida como cavalo-marinho-patagônico. A descoberta ocorreu durante uma ação de monitoramento ambiental na região, onde a equipe se deparou com a caixa descartada, repleta de exemplares mortos. Segundo Freret, a quantidade de animais encontrados sugere uma captura acidental em grande escala, possivelmente oriunda de redes de arrasto.
Impactos da pesca de arrasto
A pesca de arrasto é apontada como uma das principais ameaças aos cavalos-marinhos em todo o mundo. Estima-se que milhões desses animais sejam capturados anualmente como fauna acompanhante, ou seja, sem intenção, durante a pesca de camarões e outros peixes. No Brasil, a prática é comum na Baía de Guanabara e regiões costeiras, afetando diretamente a biodiversidade marinha. A orientação a pescadores sobre técnicas de descarte e redução de captura acidental é considerada crucial para mitigar esses danos.
Reações e próximos passos
O Movimento Baía Viva, que registrou o caso, reforçou a necessidade de políticas públicas mais rigorosas para fiscalizar a pesca de arrasto e proteger espécies ameaçadas. Natalie Freret destacou que a morte de centenas de cavalos-marinhos em um único evento é um alerta para a urgência de medidas de conservação. “Cada animal perdido representa um impacto na reprodução da espécie, que já enfrenta declínio populacional”, afirmou a coordenadora. A expectativa é que o caso seja encaminhado aos órgãos ambientais competentes para investigação e possíveis sanções.



