O desembargador Jonas Hass Silva Júnior, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), negou o pedido liminar da defesa do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, para suspender a prisão preventiva. O ex-parlamentar está foragido desde 8 de julho, quando a Justiça ordenou o início do cumprimento da pena de 15 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão. Neno Razuk foi condenado por organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho no âmbito da Operação Successione.
Habeas corpus é negado em caráter liminar
Segundo o advogado Ricardo Souza Pereira, o habeas corpus foi protocolado na tarde de quarta-feira (15). Horas depois, o relator indeferiu o pedido liminar, sem analisar o mérito das alegações defensivas. Agora, o habeas corpus será submetido ao colegiado da 1ª Câmara Criminal do TJMS. A defesa espera que o julgamento de mérito ocorra em até um mês.
Em nota, o advogado afirmou que recebeu a decisão "com serenidade" e manifestou confiança na revogação da prisão preventiva. Segundo ele, os fatos que embasaram a medida são antigos e não evidenciam risco atual que justifique a segregação cautelar. A defesa sustenta que não há mais requisitos legais para a manutenção da prisão e confia na reversão da decisão.
Motivos da prisão de Neno Razuk
A ordem de prisão determinou o início do cumprimento da pena aplicada em 15 de dezembro de 2025 pelo juiz da 4ª Vara Criminal. Neno Razuk não havia sido preso antes porque gozava de imunidade parlamentar, prevista na Constituição. A proteção terminou em 21 de maio deste ano, após a recontagem dos votos das eleições de 2022 alterar a composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). Com a mudança, o ex-deputado perdeu o mandato para João César Mattogrosso e passou a responder ao processo sem a imunidade. Além da pena privativa de liberdade, a sentença determinou a perda do mandato e a proibição de exercer cargo público por oito anos.
Operação Successione e o esquema do jogo do bicho
Além de Neno Razuk, seu pai Roberto Razuk, os irmãos Jorge e Rafael Razuk e outras 16 pessoas são rés na ação penal da quarta fase da Operação Successione, deflagrada em novembro de 2025. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo teria articulado um esquema para assumir o controle da exploração do jogo do bicho no estado.
As investigações apontam que integrantes da organização participaram de três roubos em Campo Grande, em outubro de 2023. As vítimas eram funcionários de um grupo rival que também explorava o jogo do bicho. Na sentença, o juiz afirmou que a organização tentava ocupar o espaço deixado após a Operação Omertà, que desarticulou outro grupo investigado por explorar jogos ilegais em Mato Grosso do Sul.
Base da organização e apreensões
Durante as investigações, uma casa no Jardim Monte Castelo foi apontada como base da organização. No imóvel, os investigadores apreenderam mais de 700 máquinas usadas no jogo do bicho, além de documentos, celulares, computadores e planilhas. Segundo o Ministério Público, o material indica que a organização movimentava pelo menos R$ 600 mil por mês com a exploração do jogo do bicho em cidades de Mato Grosso do Sul. Nas buscas, também foram apreendidos R$ 274 mil em dinheiro, mais de mil euros em espécie e documentos. Com base nas investigações, o Ministério Público pediu o bloqueio de R$ 36 milhões em bens da família Razuk.
Nota da defesa na íntegra
"A defesa de Roberto Razuk Filho (Neno Razuk) recebeu com serenidade a decisão que apreciou o pedido liminar no Habeas Corpus. Importa esclarecer que a decisão proferida não analisou o mérito das teses defensivas, limitando-se a postergar sua apreciação para o julgamento definitivo da impetração. Assim, não houve rejeição dos fundamentos jurídicos apresentados pela defesa, os quais serão oportunamente examinados pelo órgão colegiado competente. A defesa permanece confiante na reversão da decisão, por entender que as teses deduzidas no Habeas Corpus são sólidas e demonstram, entre outros aspectos, a ausência dos requisitos legais necessários à manutenção da prisão cautelar, especialmente diante da falta de contemporaneidade dos fatos que embasaram a medida extrema. Desse modo, a expectativa de reforma da decisão permanece íntegra, estando vivas e firmes as esperanças de que, no julgamento do mérito, seja restabelecida a liberdade de Roberto Razuk Filho, em estrita observância às garantias constitucionais e à jurisprudência dos tribunais superiores."



