Após 200 anos extinta na Mata Atlântica, a arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) voltou a se reproduzir no bioma. O marco foi alcançado pelo Projeto de Reintrodução da espécie, coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Bahia.
O primeiro nascimento de filhotes foi registrado no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Porto Seguro, sul da Bahia. As aves foram soltas em 2024 em um fragmento de sete mil hectares da Mata Atlântica, em estágio avançado de regeneração, onde está localizada a Estação Veracel, a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da região.
Segundo a coordenadora do projeto e analista ambiental do Ibama, Ligia Ilg, um par de araras utilizou uma das caixas-ninho de modo contínuo. Para evitar perturbações, os técnicos optaram pelo monitoramento remoto, que permitiu constatar a eclosão de dois filhotes. Atualmente, os filhotes já realizam voos, recebem provisões dos pais e começam a buscar o próprio sustento.
A espécie, que já foi descrita por Pero Vaz de Caminha em 1500 como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”, e pelo naturalista príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied no século 19, foi extinta no litoral brasileiro devido ao desmatamento e à captura ilegal. Hoje, a maior concentração da espécie selvagem está nas regiões Centro-Oeste e Norte.
A arara-vermelha-grande desempenha papel ecológico relevante ao se alimentar de frutos e sementes, contribuindo para a dispersão das mesmas. Seu porte físico permite carregar maior número de sementes por distâncias maiores, auxiliando na regeneração florestal.
Interessados em colaborar com a iniciativa — como zoológicos, centros de reabilitação, instituições ambientais ou tutores legalizados — podem ceder aves para o Cetas do Ibama em Porto Seguro, entrando em contato pelo e-mail ligia.ilg@ibama.gov.br.



