Após 20 anos, área degradada da Amazônia se recupera, mas com nova composição
Amazônia se recupera após 20 anos, mas com nova flora

Após enfrentar incêndios, secas extremas e vendavais durante 20 anos de monitoramento, uma área da Amazônia voltou a ser coberta por floresta. No entanto, a mata que reapareceu não é exatamente a mesma de antes. Essa é a principal conclusão de um estudo publicado na revista científica PNAS, que acompanhou entre 2004 e 2024 uma floresta na transição entre a Amazônia e o Cerrado, em Mato Grosso.

Metodologia e resultados principais

Os pesquisadores analisaram como a vegetação respondeu a queimadas experimentais, secas severas e eventos de vento intenso ao longo de duas décadas. Os resultados mostram que, quando os incêndios deixam de ocorrer, a floresta consegue recuperar sua estrutura, especialmente no interior da mata. Nas bordas, onde os efeitos do fogo e da proximidade com áreas agrícolas são maiores, a recuperação é mais lenta.

Composição florestal alterada

Segundo os pesquisadores, espécies especializadas da Amazônia continuam diminuindo, enquanto árvores generalistas — capazes de ocupar diferentes ambientes — tornam-se mais abundantes. O resultado é uma floresta funcional, mas com uma composição diferente da observada antes das perturbações. Outro resultado chamou a atenção da equipe: após os incêndios, gramíneas invasoras ocuparam as bordas da floresta, favorecidas pela abertura do dossel e pelo aumento da entrada de luz. Com o fim das queimadas, porém, as copas das árvores voltaram a fechar e a cobertura de gramíneas diminuiu gradualmente, restando apenas pequenas áreas ocupadas principalmente por espécies tolerantes à sombra.

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Resiliência e riscos futuros

O estudo também traz evidências de que a área degradada não evoluiu para uma vegetação semelhante ao Cerrado, como algumas hipóteses sugeriam. Em vez disso, os pesquisadores observaram uma floresta que permanece resiliente, mas dominada por espécies mais generalistas e menos por espécies típicas da Amazônia. Os autores ressaltam, no entanto, que essa recuperação depende da interrupção das perturbações. Caso novos incêndios ocorram com frequência ou os eventos climáticos extremos se intensifiquem, a floresta pode voltar a se degradar e comprometer sua recuperação no longo prazo.

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