O julgamento dos três policiais militares acusados de matar o delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), Antônio Vinicius Gritzbach, e o motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais começou nesta segunda-feira, 22, na Vara do Júri de Guarulhos. A viúva de Celso, Simone Dionízio Fernandes Novais, foi uma das primeiras a depor, emocionando o plenário ao relembrar os últimos momentos com o marido.
Última conversa e o sonho do carro novo
Simone contou que Celso ligou para ela cerca de 40 minutos antes do atentado, ocorrido em 8 de novembro de 2024, uma sexta-feira. Ele havia conseguido dinheiro suficiente para pagar mais uma parcela do Jeep Renegade, carro que era seu sonho. Planejava voltar para casa, mas decidiu ficar mais um pouco para ganhar o suficiente para comprar comida japonesa para um dos filhos, que andava desanimado. “Foi a última vez que falei com ele”, disse Simone.
Após o ataque, Celso ainda tentou ligar para ela, mas ela não atendeu. Pouco depois, recebeu a notícia de um amigo e um vídeo do marido na ambulância. Quando chegou ao Hospital Geral de Guarulhos, ele já estava em cirurgia. Na UTI, sedado, os filhos o viram. “O pequeninho ficava pedindo: ‘pai, levanta’. Foi desesperador”, relatou. Celso não resistiu aos ferimentos, perdendo um rim e parte do fígado.
Família busca justiça
Diversos familiares de Celso, incluindo a mãe, Aparecida Camila de Araújo, de 65 anos, que veio de Brasília, acompanham o julgamento. “Quero justiça não só para o Vinícius, mas para o meu filho Celso. Ele estava trabalhando e era pai de três filhos”, afirmou.
Simone contou que, desde que foi convocada para o julgamento, não conseguiu mais trabalhar, sendo afastada pela psiquiatria. Além da ausência do marido, teve que devolver o carro por não conseguir pagar as parcelas. “Aluguel, luz, internet... tudo era ele. Está muito difícil”, disse.
O julgamento e a defesa dos PMs
Os réus são o soldado Ruan Silva Rodrigues, de 33 anos, o cabo Dênis Antonio Martins, de 41, e o tenente Fernando Genauro da Silva, de 35. Eles são acusados de homicídio quadruplamente qualificado e tentativa de homicídio contra outras duas pessoas feridas no ataque. A promotoria alega que foram pagos com criptomoedas – o PCC oferecia R$ 3 milhões pela morte de Gritzbach, que delatava esquemas de lavagem de dinheiro do tráfico.
A defesa, liderada pelo advogado Claudio Dalledone Júnior, afirma que os PMs são inocentes e vítimas de uma armação da Polícia Civil. “Vamos mostrar a banda podre da Polícia Civil extorquindo Gritzbach e com motivação para matá-lo”, disse. O julgamento deve terminar na sexta-feira, 26.



