A Justiça de Roraima determinou que o vereador Hudson Nayron Cunha, de 36 anos, investigado pelo Ministério Público por estuprar duas adolescentes de 15 e 17 anos no município de Normandia, ao Norte do estado, seja monitorado por tornozeleira eletrônica. O g1 teve acesso à decisão nesta quinta-feira (23).
Decisão judicial e medidas protetivas
A tornozeleira foi instalada em Hudson no dia 11 de junho, conforme decisão assinada pela juíza Liliane Cardoso, da Comarca de Bonfim, no dia 8 de junho. Segundo a magistrada, o vereador descumpriu uma medida protetiva concedida para uma das vítimas durante um evento no município. A adolescente relatou que Hudson estacionou o carro próximo a ela e permaneceu no local por cerca de 30 minutos, causando "extremo temor" devido à influência política do parlamentar.
A juíza, no entanto, entendeu que os elementos apresentados não justificam a prisão preventiva. "Apesar de o vereador ter estacionado próximo à vítima, não há relato de que ele tenha saído do veículo, feito ameaças ou tentado qualquer tipo de contato físico", afirmou na decisão. A vítima está utilizando o botão do pânico. A magistrada impôs medidas mais brandas, como a tornozeleira eletrônica e a advertência de que, em caso de novo descumprimento, a prisão preventiva será decretada. Hudson está proibido de se aproximar da residência, local de trabalho ou estudo da vítima, com distância mínima de 200 metros.
Defesa e posicionamento do vereador
Em nota, a defesa de Hudson afirmou que ele vem cumprindo rigorosamente todas as determinações judiciais e alega ser inocente. "O parlamentar reafirma sua total inocência em relação às acusações imputadas e confia plenamente na Justiça", diz a nota. A defesa também afirma que parte das acusações já foi formalmente retirada por vítimas e que a narrativa decorre de "atitude desesperada" da família de uma jovem, cujo pai é conselheiro tutelar e teria interesse político na vaga do vereador.
Procurado pela reportagem, o presidente da Câmara Municipal de Normandia, Fernando Bolacha (PP), informou que a Casa está em recesso e que a Comissão de Ética e Justiça já está analisando o caso. Os trabalhos legislativos serão retomados em 5 de agosto. O g1 também procurou o vereador Hudson, mas não obteve resposta.
Outras denúncias e histórico
De acordo com o Ministério Público, os crimes contra as duas adolescentes foram cometidos em momentos diferentes. Hudson responde por dois casos e, se condenado, as penas podem ser somadas. Em dezembro de 2024, três meses após a denúncia do MP, ele foi expulso do Partido Social Democrático (PSD) após processo disciplinar. O partido também repudiou a decisão do Conselho de Ética da Câmara, que não cassou o mandato.
Hudson Nayron foi eleito com 366 votos nas eleições de 2024, tomando posse em 1º de janeiro de 2025 como vice-presidente da Mesa Diretora. Em setembro de 2025, pediu afastamento do cargo por 30 dias. Durante uma sessão, ele se defendeu: "Tenho vontade que isso se resolva e mostre que, se eu for culpado, eu sou homem para pagar pela minha culpa".
Relato de grávida de 9 meses
Uma jovem de 18 anos relatou à Polícia Civil ter sido estuprada por Hudson quando estava com 9 meses de gravidez. O crime teria ocorrido em setembro de 2024. Segundo o boletim de ocorrência, ela pegou carona com o acusado em Boa Vista e foi estuprada dentro do carro, no bairro Cauamé. A Polícia Civil confirmou a instauração do inquérito em 16 de setembro de 2024.



