Vereador cassado por compra de votos com 'óculos-espião' no Pará
Vereador cassado por compra de votos com óculos-espião no Pará

O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) confirmou, por unanimidade, a cassação do diploma do vereador reeleito Edivaldo Borges Gomes, conhecido como "Irmão Edivaldo" (MDB), por compra de votos e abuso de poder econômico nas eleições de 2024 em Ourilândia do Norte, no sul do estado. Ainda cabe recurso da decisão.

Esquema com óculos-espião

De acordo com o Ministério Público Eleitoral (MPE), o esquema envolvia o uso de óculos equipados com microcâmeras, que gravavam o voto dos eleitores dentro da cabine de votação. O método era utilizado para comprovar o voto e garantir o pagamento de valores em dinheiro, que chegavam a até R$ 200 por eleitor.

Uma mesária desconfiou do equipamento usado por uma adolescente e comunicou a situação à Justiça Eleitoral e ao MPE. A adolescente foi apreendida com o dispositivo, e um inquérito policial foi aberto. As investigações apontaram que o esquema envolvia o vereador e seus familiares, que recrutavam eleitores e distribuíam dinheiro em troca de votos.

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Decisão judicial

A 74ª Zona Eleitoral de Tucumã já havia cassado o vereador em primeira instância. O TRE-PA, ao julgar o recurso, manteve a sentença, destacando a gravidade das condutas e o caráter organizado do esquema. Além da cassação do diploma, foram anulados os votos do vereador, e haverá recontagem dos votos válidos para definir um novo ocupante na Câmara Municipal. Os filhos do vereador também foram cassados, e todos os envolvidos estão inelegíveis por oito anos.

Patrimônio e trajetória

Edivaldo Borges Gomes declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 8,375 milhões, composto por terrenos, veículos e casas. Natural de Uruaçu (GO), mudou-se para Ourilândia do Norte em 1986. Foi eleito vereador por quatro mandatos: pelo PDT (2005-2008 e 2009-2012) e pelo MDB (2021-2024 e 2025-2028, este último cassado). Ele também atuava como 1º vice-pastor da Assembleia de Deus Ministério de Madureira.

Processo criminal

Além da esfera eleitoral, o Ministério Público propôs ação penal contra o vereador pelos mesmos fatos. O processo criminal segue em tramitação e aguarda julgamento. O g1 tenta contato com o vereador, mas ainda não obteve retorno.

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