STF suspende R$ 29 milhões em emendas de Mogi e Suzano ligadas a Valdemar Costa Neto
STF suspende R$ 29 milhões em emendas de Mogi e Suzano

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de mais de R$ 29 milhões em emendas parlamentares destinadas às cidades de Mogi das Cruzes e Suzano, no interior de São Paulo. A decisão, tornada pública nesta sexta-feira (10), insere-se na investigação de um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto.

Recursos concentrados em Suzano

Suzano foi o município que recebeu o maior volume de recursos entre as 21 emendas parlamentares identificadas pela investigação. A cidade lidera a lista de valores supostamente desviados, com R$ 26.835.199,00. Esse montante corresponde a duas transferências realizadas em 26 de junho de 2024: uma de R$ 15.802.140,00 e outra de R$ 11.033.059,00. Já Mogi das Cruzes consta como beneficiária de uma emenda de R$ 3 milhões, empenhada e paga em 10 de novembro de 2025. De acordo com a investigação, as emendas destinadas às duas cidades eram voltadas para a área da Saúde.

Influência política e direcionamento irregular

Segundo a Polícia Federal, Valdemar Costa Neto utilizava sua influência para direcionar recursos, principalmente para municípios paulistas, onde concentra sua base política. As investigações apontam que, mesmo sem exercer mandato parlamentar, Valdemar influenciava de forma clandestina o direcionamento das emendas. A PF afirma que ele contava com a atuação de servidores da Câmara dos Deputados para destinar recursos públicos de acordo com seus interesses. As emendas eram tratadas como cotas pessoais, o que, segundo os investigadores, caracteriza desvio de finalidade e uso irregular de recursos públicos em benefício de uma pessoa sem mandato parlamentar.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Histórico de Valdemar Costa Neto

Valdemar, natural de Mogi das Cruzes, foi deputado federal de 1991 a 2005, por quatorze anos, e depois de 2007 a 2013, por mais seis anos. Por duas vezes, o político renunciou para evitar a cassação, pois era investigado por envolvimento no escândalo do mensalão. Ele está no comando do PL há 26 anos. O g1 procurou as prefeituras de Mogi das Cruzes e Suzano, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. A investigação da PF aponta que Valdemar é suspeito de desvio de R$ 119 milhões em emendas e de associação criminosa.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar