Alcides Fernandes oficializa pré-candidatura ao Senado pelo PL no Ceará com Flávio Bolsonaro
Alcides Fernandes é pré-candidato ao Senado pelo PL no Ceará

O deputado estadual Alcides Fernandes foi oficializado como pré-candidato ao Senado pelo Partido Liberal (PL) na noite desta sexta-feira (10), em evento que contou com a presença de seu filho, o deputado federal André Fernandes, e do pré-candidato à presidência, senador Flávio Bolsonaro, ambos também do PL. A escolha de Alcides em vez da deputada federal Priscila Costa, nome apoiado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, acirrou a crise interna no partido no Ceará.

Protestos e princípios de confusão marcam o evento

Durante o ato, participantes seguravam placas com as frases "CIRO NÃO" e "DIREITA NÃO VOTA NA ESQUERDA", em referência à aliança do PL com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) para a disputa ao governo estadual. Em determinados momentos, foram registrados princípios de confusão. O deputado André Fernandes comentou os tumultos: "Eu sei que tem alguns petistas infiltrados querendo bagunçar o nosso evento. Faz o seguinte: ignora. Hoje é dia de festa. Vamos derrubar o PT. Entenda que em todo momento vai aparecer gente querendo dividir a oposição". Antes de finalizar o discurso, ele precisou intervir em outro confronto entre participantes.

Alcides critica facções criminosas e concorrentes

Em seu discurso, Alcides Fernandes destacou a atuação de facções criminosas no estado: "Nosso Estado está num verdadeiro narco-Estado. Nós estamos vivendo sob o domínio das facções criminosas. Eles estão controlando a internet, eles estão controlando o gás, eles estão controlando os portos, os aeroportos". Ele também mencionou a aprovação pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) da requisição de forças federais para 66 municípios cearenses, visando garantir a segurança nas eleições. O pré-candidato criticou ainda os concorrentes governistas, alegando suposto envolvimento com crime organizado: "São pessoas envolvidas também com as facções criminosas. São pessoas que estão envolvidas com o crime organizado".

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Flávio Bolsonaro visita rua abandonada por facções

Flávio Bolsonaro visitou uma rua abandonada por moradores no bairro Vila Velha, em Fortaleza, devido a uma disputa entre facções. Usando colete à prova de balas, ele entrou em casas vazias ao lado de André e Alcides Fernandes. O senador defendeu a classificação de facções como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. "Um dos maiores problemas que o Brasil tem hoje é atuação de facções narcoterroristas, que tão simplesmente dominando territórios", afirmou. Ele criticou o governo Lula por se opor à classificação nos Estados Unidos, dizendo: "O presidente da República, Lula, ir lá pros Estados Unidos pra defender que CV e PCC não sejam declarados como organizações terroristas, os caras são terroristas, não adianta".

Crise com Michelle Bolsonaro e aliança com Ciro Gomes

Michelle Bolsonaro defendia a candidatura de Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará, avaliando que ele representa os valores do bolsonarismo. Ela considerava que o apoio a Ciro só deveria ocorrer em eventual segundo turno. Em dezembro, Michelle criticou publicamente a aliança com Ciro, lembrando que ele havia criticado duramente Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro teria ligado para ela de forma desrespeitosa, conforme Michelle descreveu em vídeos: "Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone". Após a crise, Michelle deixou a presidência do PL Mulher e cogita não ser candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Flávio pediu desculpas publicamente, dizendo estar de "coração aberto" para encontrá-la.

Pesquisa eleitoral e cenário no Ceará

Pesquisa Quaest divulgada em abril indica Ciro Gomes na liderança das intenções de voto para o governo estadual, com 41%, seguido pelo atual governador Elmano de Freitas (PT), com 32%. Eduardo Girão aparece com 4%. Em maio, o PL Ceará oficializou o apoio a Ciro, que terá como candidatos ao Senado o ex-deputado Capitão Wagner (União) e Alcides Fernandes. A aliança prevê que Ciro dê palanque para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro no estado.

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