STF analisa recursos de condenados pelo assassinato de Marielle Franco
STF analisa recursos de condenados por morte de Marielle

O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta sexta-feira (12) a análise dos recursos apresentados pelos cinco condenados no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma, e os ministros têm até o dia 19 para registrar seus votos.

Recursos em análise

A Primeira Turma examinará embargos de declaração protocolados pelas defesas. Esse tipo de recurso visa esclarecer pontos da decisão e corrigir eventuais omissões ou contradições, sem possibilidade de reverter a condenação. O relator, ministro Alexandre de Moraes, já votou pela rejeição dos cinco recursos.

Condenações em fevereiro

Em fevereiro, a Primeira Turma condenou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes, a 76 anos e três meses de prisão cada, por organização criminosa armada, duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado contra a assessora que sobreviveu. Também foram condenados:

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  • Ronald Paulo Alves Pereira, policial militar reformado, a 56 anos por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado.
  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, a 18 anos por obstrução de Justiça e corrupção passiva.
  • Robson Calixto Fonseca, ex-policial militar, a nove anos por integrar organização criminosa armada.

A sentença inclui ainda o pagamento de R$ 7 milhões em indenizações às vítimas e famílias, além da perda de cargos públicos. Todos os réus estão presos preventivamente até o trânsito em julgado.

Voto de Moraes

Ao rejeitar os recursos, Moraes classificou os pedidos como “meramente protelatórios”, com o objetivo de adiar o trânsito em julgado, ou que tentam reanalisar o “robusto acervo de provas”, o que não é cabível em embargos de declaração.

Argumentos das defesas

  • Rivaldo Barbosa: alegou omissão sobre “responsabilidade penal objetiva”. Moraes afirmou que o acórdão demonstrou vontade deliberada e condutas autônomas do réu.
  • Robson Calixto Fonseca: pediu permanência no Batalhão Especial Prisional da PM. Moraes disse que questões sobre execução da pena serão analisadas no momento adequado.
  • Ronald Paulo Alves Pereira: alegou omissão sobre inimizade com Ronnie Lessa e apresentou álibis. O relator destacou provas de geolocalização (ERBs).
  • Chiquinho Brazão: questionou o cálculo da pena e a indenização. Moraes afirmou que a dosimetria seguiu critérios legais.
  • Domingos Brazão: sustentou cerceamento de defesa e negou envolvimento com milícias. O ministro apontou acesso integral aos autos.

Relembre o caso

Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos a tiros em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. O inquérito tramitou por seis anos na Justiça do Rio sem solução. Após o caso ser remetido ao STF, a Polícia Federal concluiu as investigações.

Segundo a condenação, Domingos Brazão, então conselheiro do TCE-RJ, e Chiquinho Brazão, vereador do Rio e depois deputado federal, ordenaram a morte de Marielle. Ela se opunha a grupos ligados aos acusados em debates sobre regularização urbana. Os irmãos tinham interesses econômicos em áreas dominadas por milícias.

Rivaldo Barbosa dificultou as investigações, Ronald Pereira monitorou a vítima e repassou informações aos executores, e Robson Calixto participou de atividades relacionadas aos interesses imobiliários do grupo.

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