A defesa de Paulo Augusto de Lima Vieira, acusado de participar de duas tentativas de homicídio, classificou como uma “infeliz coincidência” a compra de um imóvel localizado em frente à casa do juiz responsável pelo processo, em um condomínio de Arapiraca, Agreste de Alagoas. O caso gerou repercussão e levou o magistrado a acionar o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL).
Defesa nega conhecimento da residência do juiz
Segundo o advogado Raimundo Palmeira, o réu não sabia que o juiz Elielson dos Santos Pereira morava no mesmo condomínio. “Tudo não passou de um lamentável mal-entendido. Ele não tinha como adivinhar sequer que o juiz morava em Arapiraca. Foi uma infeliz coincidência”, afirmou o defensor, em entrevista ao g1.
A aquisição do imóvel foi mencionada em uma decisão judicial publicada em 22 de julho. No documento, o juiz Elielson dos Santos Pereira destacou que a compra poderia ter como objetivo uma aproximação pessoal com ele, o que poderia configurar uma tentativa de influenciar o andamento do processo.
Motivação comercial e familiar
De acordo com a defesa, Paulo Augusto possui interesses comerciais em Arapiraca e pretendia usar o imóvel para que sua esposa e os dois filhos pequenos pudessem residir na cidade. As crianças estudam atualmente em Olho d’Água das Flores e Santana do Ipanema, mas a família avaliava transferi-las para Arapiraca no próximo ano letivo.
O advogado afirmou que o réu passou alguns dias no imóvel com os filhos, mas, assim que soube que o juiz residia no condomínio, deixou de frequentar o local. “Ele não procurou nenhum contato com o magistrado. Ao saber que o juiz morava lá, imediatamente seguiu a orientação dos advogados e não pisou mais na casa. O imóvel está fechado”, declarou Raimundo Palmeira.
Cumprimento de medidas cautelares
A defesa também negou que Paulo Augusto tenha descumprido as medidas cautelares impostas pela Justiça. Segundo o advogado, o réu compareceu a todas as apresentações periódicas obrigatórias e tinha autorização para se ausentar de São José da Tapera por até oito dias, sem necessidade de aviso prévio.
“Não faltou a nenhuma apresentação. A sede dos negócios dele continua sendo São José da Tapera, onde passa a maior parte do tempo. Não houve qualquer descumprimento”, disse. A defesa ainda contesta a participação de Paulo Augusto nas duas tentativas de homicídio investigadas. Raimundo Palmeira argumentou que os depoimentos coletados nos autos demonstrariam que o réu não teve envolvimento nos crimes, mas essas alegações ainda aguardam análise da Justiça.
Pedido de prisão e tramitação no TJ-AL
O Ministério Público solicitou a prisão preventiva de Paulo Augusto, mas o juiz de primeira instância não analisou o pedido. Como há um recurso em tramitação no Tribunal de Justiça de Alagoas, o magistrado encaminhou o caso ao desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo, que decidirá sobre a prisão.
O advogado elogiou a cautela do juiz: “É claro que o magistrado estranhou ver uma pessoa que responde a um processo chegando ao condomínio onde ele mora. Mas teve a cautela de dar vista à defesa, e nós justificamos”. A defesa também levantou a possibilidade de que a divulgação do episódio tenha motivação política, uma vez que o pai de Paulo Augusto é uma figura política local. No entanto, o advogado não apresentou provas concretas dessa alegação.
Agora, caberá ao desembargador do TJ-AL analisar o pedido de prisão preventiva e os esclarecimentos apresentados pela defesa. O imóvel permanece fechado, e o réu segue cumprindo as medidas cautelares enquanto aguarda o desfecho do caso.



