O senador Weverton Rocha (PDT-MA) tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta terça-feira, 4 de agosto de 2026, que investiga um esquema de fraude contra o INSS. A ação, batizada de Operação Duas Faces, cumpre mandados de busca e apreensão no gabinete do parlamentar em Brasília e em endereços ligados a ele no Maranhão.
Quem é Weverton Rocha
Weverton Rocha, de 45 anos, é natural de Imperatriz, no Maranhão. Formado em Direito, iniciou sua carreira política como deputado estadual em 2010, sendo reeleito em 2014. Em 2018, elegeu-se senador pelo PDT com mais de 1,2 milhão de votos, tornando-se uma das principais lideranças do partido no Nordeste. No Senado, integra as comissões de Constituição e Justiça, de Assuntos Econômicos e de Transparência e Governança.
Antes de ingressar na política, Weverton atuou como advogado e foi assessor parlamentar. É casado e tem dois filhos. Em 2022, disputou o governo do Maranhão, mas foi derrotado no segundo turno pelo então candidato à reeleição, Carlos Brandão (PSB).
A investigação
De acordo com a PF, a Operação Duas Faces apura a atuação de uma organização criminosa que teria fraudado benefícios previdenciários, causando prejuízo estimado em R$ 100 milhões aos cofres públicos. As fraudes envolviam a concessão de aposentadorias e pensões com documentos falsos, além de desvios de valores.
As investigações tiveram início em 2024, após denúncia da Controladoria-Geral da União (CGU). A PF afirma que o senador Weverton Rocha teria utilizado sua influência política para pressionar servidores do INSS a agilizar a aprovação de benefícios fraudulentos, em troca de propina.
Em nota, a assessoria do senador negou qualquer irregularidade e disse que ele "sempre pautou sua vida pública pela ética e transparência". A defesa de Weverton afirmou que "aguarda com serenidade o desenrolar das investigações e confia na Justiça".
Repercussão política
A operação causou repercussão imediata no Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que "a Casa respeita o devido processo legal" e que "não há espaço para privilégios". Líderes da oposição, como o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), pediram o afastamento imediato do senador, enquanto aliados do PDT manifestaram apoio.
Especialistas ouvidos pelo GLOBO avaliam que o caso pode impactar as eleições de 2026, nas quais Weverton é cotado para disputar o governo do Maranhão novamente. O cientista político André Souza, da Universidade de Brasília, destaca que "investigações dessa natureza tendem a desgastar a imagem pública do político, mas o impacto eleitoral depende do desenrolar das provas".
Próximos passos
A PF deve ouvir o senador nos próximos dias. O material apreendido será analisado e, se necessário, a Procuradoria-Geral da República poderá pedir a abertura de inquérito no STF, já que Weverton tem foro privilegiado. A defesa afirma que colaborará com as investigações.
Até o momento, nenhuma prisão foi efetuada. A operação contou com a participação de 50 policiais federais e cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Luís e Imperatriz.



