O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou, nesta segunda-feira, a prisão preventiva de Catarina Stanesco, filha da vidente Rosa Stanesco. Ela é acusada de instigar Sabine Coll Boghici, de 62 anos, a cometer suicídio. A decisão atende a um pedido do Ministério Público, que também solicitou a prisão do companheiro de Catarina, identificado como André, já detido por envolvimento no mesmo crime, além de tortura e cárcere privado.
Entenda o caso
Sabine Boghici, filha do marchand Jean Boghici, falecido em 2015, e de Geneviève Rose Marie Coll Boghici, teria sido alvo de um esquema de manipulação psicológica orquestrado por Rosa Stanesco e sua filha. Segundo as investigações, o grupo se aproveitou da vulnerabilidade de Sabine para obter vantagens financeiras, levando-a a um estado de desespero que culminou em sua morte.
As investigações apontam que Catarina teria participado ativamente das ações que levaram Sabine ao suicídio, ocorrido em fevereiro deste ano. O companheiro de Catarina, cujo nome não foi divulgado, foi preso anteriormente e agora responde por tortura e cárcere privado, além de instigação ao suicídio.
Investigação em andamento
Rosa Stanesco, viúva de Jean Boghici, também é investigada no caso. Ela teria se casado com o marchand após a morte de sua primeira esposa, mãe de Sabine, e teria influenciado a enteada a transferir bens e valores. A polícia acredita que o esquema envolvia a manipulação de Sabine para que ela doasse ou vendesse propriedades da família.
Em depoimento, testemunhas relataram que Sabine vivia sob intensa pressão psicológica e que era constantemente vigiada. O laudo pericial confirmou que a morte foi autoinfligida, mas as circunstâncias indicam que ela foi levada a esse ato por terceiros.
Repercussão jurídica
Especialistas em direito penal ouvidos pela imprensa destacam a gravidade das acusações. “Instigar alguém ao suicídio é crime previsto no Código Penal, com pena de reclusão de 2 a 6 anos, mas, se o ato se consuma, a pena pode ser aumentada. No caso de tortura e cárcere privado, as penas são ainda mais severas”, explicou o advogado criminalista Carlos Mendes.
O Ministério Público ressalta que as provas coletadas são contundentes, incluindo mensagens de texto e áudios que demonstram a pressão exercida sobre a vítima. A defesa de Catarina Stanesco ainda não se manifestou oficialmente, mas seus advogados adiantaram que vão recorrer da decisão.
Próximos passos
Catarina Stanesco, que estava foragida, deverá se apresentar às autoridades ou será capturada pela polícia. O caso segue sob sigilo, mas a Justiça autorizou a divulgação de informações básicas para esclarecer a população. A família de Sabine Boghici, por meio de nota, agradeceu o empenho das investigações e pediu justiça.
Este caso reacende o debate sobre a vulnerabilidade de idosos e pessoas em situação de luto, que muitas vezes se tornam alvos fáceis de golpistas. A polícia orienta que familiares fiquem atentos a mudanças de comportamento e a transferências de patrimônio não justificadas.



