A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) afastou o secretário de Esportes de Terra Rica, Celso Vinicius Gimenes Azoia, conhecido como Kalunga, e um servidor não identificado, suspeitos de desviarem mais de R$ 100 mil em recursos públicos. A operação ocorreu nesta quinta-feira (2) e cumpriu três mandados de busca e apreensão nos endereços dos investigados. Documentos e aparelhos eletrônicos foram apreendidos para perícia.
Investigação aponta desvio de patrocínios e aluguéis
Segundo a polícia, a investigação começou em março, após denúncia ao Ministério Público do Paraná (MP-PR). Foi apurado que os servidores recebiam, em contas particulares, valores de patrocínios e anúncios de espaços públicos que deveriam ser repassados aos cofres municipais. O delegado Thiago Vicentini de Oliveira, da divisão estadual de combate à corrupção, afirmou que o secretário desviava valores do aluguel de espaços publicitários do Ginásio de Esportes de Terra Rica desde 2024. "Esse processo de locação não se deu através de licitação ou qualquer outro processo público de seleção, e os valores rastreados todos foram ao encontro desse secretário, seja através de depósito em sua conta, recebimento em espécie e o desconto de cheque", informou.
Além disso, a investigação apontou que os servidores se apropriaram de valores de inscrição de um campeonato gerido pelo município. Cada inscrição custou R$ 800, totalizando cerca de R$ 16 mil desviados. A polícia também afirma que o desvio de bens públicos era usado para promover uma empresa particular.
Afastamento e crime de peculato
Os dois investigados deverão ficar afastados das funções públicas por 180 dias ou até a conclusão da investigação. Eles são suspeitos de peculato, crime que ocorre quando o servidor se apropria ou desvia dinheiro, valor ou bem público em benefício próprio ou de terceiros. O caso segue em sigilo.
Defesa do secretário nega desvio
Em nota, a defesa de Celso Vinicius Gimenes Azoia afirmou que "todo e qualquer recurso levantado foi integralmente destinado ao fomento do esporte local, não havendo, em nenhum momento, a utilização de quaisquer valores para proveito próprio". A defesa destacou que Kalunga entregou seus extratos bancários às autoridades antes de qualquer pedido de quebra de sigilo e que reconhece eventuais irregularidades formais, mas nega conduta criminosa.
Prefeitura se diz surpreendida
A prefeitura de Terra Rica informou que foi surpreendida com a operação, mas adotou medidas administrativas, incluindo o afastamento preventivo dos servidores, e se colocou à disposição para colaborar com as autoridades.



