A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) a nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Nesta etapa, o foco são suspeitos de lavar dinheiro obtido de forma criminosa a partir da fraude. Entre os alvos está o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões
Desde a primeira fase da operação até agora, a PF estima que os desvios entre 2019 e 2024 possam chegar a R$ 6,3 bilhões. O montante expressivo revela a dimensão do esquema, que atingiu milhares de segurados em todo o país.
A Operação Sem Desconto já havia cumprido mandados em fases anteriores, mas esta nova etapa concentra-se especificamente na lavagem de capitais, ou seja, na ocultação e dissimulação da origem ilícita dos recursos obtidos com os descontos fraudulentos.
Senador Weverton é alvo de busca e apreensão
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) é um dos alvos da operação. Agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar. A assessoria do senador ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.
Weverton Rocha, que está em seu primeiro mandato no Senado, já foi alvo de outras investigações, mas esta é a primeira vez que aparece diretamente ligado à Operação Sem Desconto. A PF não detalhou o que exatamente motivou a inclusão do senador na lista de alvos desta fase.
Esquema de descontos indevidos
O esquema investigado envolve a contratação de empréstimos consignados e outros serviços sem o consentimento dos aposentados e pensionistas do INSS. Os descontos eram feitos diretamente nos benefícios, muitas vezes sem que o segurado tivesse conhecimento.
Segundo a PF, as investigações apontam para a atuação de uma organização criminosa que utilizava empresas de fachada e intermediários para realizar os descontos e, posteriormente, lavar o dinheiro obtido. A nova fase busca desarticular o braço financeiro do esquema.
Impacto para os segurados
A fraude causou prejuízos a milhares de segurados do INSS, que tiveram valores descontados de seus benefícios de forma indevida. Muitos idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade foram afetados, o que reforça a gravidade do crime.
A PF orienta que os segurados que identificarem descontos suspeitos em seus benefícios procurem a agência do INSS ou registrem boletim de ocorrência. O órgão também disponibiliza canais de denúncia para auxiliar nas investigações.
Próximos passos da investigação
Com o cumprimento dos mandados desta terça-feira, a PF deverá analisar os materiais apreendidos para aprofundar as investigações. A expectativa é que novas fases da Operação Sem Desconto possam ser deflagradas nos próximos meses.
Os suspeitos poderão responder pelos crimes de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas, somadas, podem ultrapassar 20 anos de reclusão. A Justiça Federal será responsável por julgar o caso.



