O depoimento de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, foi adiado pela Polícia Federal. A oitiva estava marcada para esta segunda-feira (3), mas a defesa do banqueiro pediu o adiamento. A PF ainda não definiu uma nova data para o interrogatório. A alteração no cronograma ocorre em meio à análise de provas colhidas na Operação Compliance Zero.
Augusto Ferreira Lima é o nome completo do banqueiro que ganhou projeção no mercado ao se tornar sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Ele deixou a sociedade em maio de 2024 e, em julho de 2025, assumiu o controle do Banco Pleno. A passagem pelo Master o colocou no centro das apurações sobre supostas fraudes na instituição.
Contexto das investigações
A Operação Compliance Zero apura um esquema que teria como núcleo o Banco Master. De acordo com as investigações, a instituição negociou carteiras de crédito fraudulentas com outros bancos, repassando ativos problemáticos. Augusto Lima é apontado como um dos articuladores dessas negociações, atuando diretamente com Daniel Vorcaro enquanto era seu sócio.
O envolvimento de Lima teria se dado principalmente na tratativa envolvendo o Banco de Brasília. Segundo a PF, ele atuou para que aquela instituição comprasse carteiras de crédito fraudulentas do Master, o que o tornou peça-chave no suposto esquema. A compra dos ativos teria gerado prejuízos e vantagens indevidas, ainda sob investigação.
Liquidação extrajudicial do Banco Pleno
Depois de assumir o controle do Banco Pleno, em julho de 2025, Lima tentou viabilizar a venda da instituição, mas as negociações não avançaram. Com o agravamento das restrições regulatórias, a dificuldade de captação e a perda de confiança do mercado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno.
A medida foi o desfecho de um processo de deterioração financeira do banco, que passou a enfrentar dificuldades para cumprir exigências do regulador. A tentativa de venda não encontrou compradores dispostos a manter a instituição em funcionamento, o que acelerou o desfecho. O caso do Banco Pleno passou a ser tratado em paralelo às investigações sobre o Master.
Operação Compliance Zero e a 9ª fase
Em 18 de julho, Augusto Lima foi alvo de mandados de busca e apreensão na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que também mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA). As investigações conduzidas pela PF revelaram que Lima atuou para que o Banco de Brasília comprasse as carteiras de crédito fraudulentas do Master, sendo apontado como uma das peças-chave no esquema de Vorcaro.
O Banco de Brasília teria adquirido carteiras com indícios de fraude, reforçando as suspeitas sobre o esquema. Lima, segundo a PF, seria um dos articuladores dessa operação, atuando diretamente para viabilizar a compra dos ativos. A participação dele nas negociações é um dos focos das investigações em andamento.
Ligações com Jaques Wagner
Também foram tornadas públicas 74 ligações telefônicas entre Jaques Wagner e Augusto Lima, elo que liga o senador às investigações no caso Master. O parlamentar é apontado como articulador político em prol dos interesses de Vorcaro em matérias que tramitavam no Senado.
De acordo com as investigações, Wagner teria utilizado sua influência política para favorecer o Banco Master. A PF apura se ele recebeu vantagens indevidas para atuar em benefício do banco, incluindo um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e repasses que somam R$ 3,5 milhões.
Os valores investigados são vistos como possível contrapartida pelo apoio político supostamente prestado por Wagner. A apuração sobre as ligações telefônicas e as transferências financeiras segue em andamento na Polícia Federal.
Próximos passos
O adiamento do depoimento não interrompe as demais diligências da operação. A Polícia Federal segue analisando documentos, quebras de sigilo e o conteúdo das ligações obtidas. A nova data para ouvir Augusto Lima depende de agenda e decisão da autoridade responsável pelo caso.
A defesa do banqueiro ainda não havia apresentado, até a publicação desta reportagem, uma nova data sugerida para a oitiva. O pedido de adiamento foi aceito pela Polícia Federal, mas não há prazo para a remarcação. O caso segue sob sigilo, com novas diligências previstas.



