O padre Françoá Costa, excomungado pela Arquidiocese de Brasília por sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), contestou publicamente a decisão e criticou as reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o religioso classificou a situação como uma 'terceira guerra mundial espiritual' e negou estar em estado de cisma com a Igreja Católica.
Contexto da excomunhão
A Arquidiocese de Brasília anunciou a excomunhão do padre Françoá Costa após ele ter se filiado à Fraternidade São Pio X, grupo tradicionalista que rejeita as mudanças litúrgicas promovidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. A Fraternidade defende a manutenção da missa em latim e dos ritos anteriores às reformas, posição que a Igreja Católica considera cismática.
Segundo o comunicado oficial da Arquidiocese, a excomunhão foi aplicada com base no Código de Direito Canônico, que prevê a pena para quem adere a grupos que rompem a comunhão com a Igreja. A decisão foi tomada após o padre ter sido advertido e não ter manifestado arrependimento.
Reação do padre
Em sua defesa, o padre Françoá Costa argumentou que não está em cisma e que a excomunhão é juridicamente inválida. 'Não estou contra a Igreja, estou contra as reformas que, na minha visão, causaram danos à fé. A excomunhão é injusta e não tem fundamento canônico sólido', afirmou no vídeo.
O religioso também criticou duramente as mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, especialmente a autorização para a celebração de missas em línguas locais em vez do latim. 'Essas reformas abriram portas para uma crise na Igreja. Hoje vivemos uma terceira guerra mundial espiritual', declarou.
Posição da Fraternidade São Pio X
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada pelo arcebispo Marcel Lefebvre, é conhecida por sua defesa da liturgia tridentina e por sua oposição a vários pontos do Concílio Vaticano II, incluindo a liberdade religiosa e o ecumenismo. Embora tenha havido tentativas de reconciliação com o Vaticano, a Fraternidade ainda não está em plena comunhão com a Igreja Católica.
Especialistas em direito canônico consultados pela reportagem explicam que a adesão à FSSPX pode ser considerada um ato cismático, pois o grupo não reconhece a autoridade do Concílio Vaticano II e do Papa Francisco. No entanto, a situação de cada padre é analisada individualmente.
Repercussão
O caso gerou debates entre católicos tradicionalistas e membros da hierarquia da Igreja. Enquanto alguns fiéis apoiam o padre Françoá Costa e criticam a Arquidiocese, outros defendem a excomunhão como necessária para manter a unidade da Igreja.
A Arquidiocese de Brasília, por meio de sua assessoria, reiterou que a excomunhão é uma medida disciplinar e que a porta para o diálogo permanece aberta, desde que o padre manifeste obediência ao magistério da Igreja.
Até o momento, não há informações sobre um possível recurso por parte do padre Françoá Costa à Santa Sé.



