Em 2021, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu Amanda Maria Souza de Oliveira, 37 anos, que se apresentava como uma menina de 11 ou 12 anos chamada Gabrielly da Silva Ferreira. O caso ganhou repercussão nacional após uma prisão em Santa Catarina. A delegada Luana Tamiozzo Medeiros, da 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, relembrou o momento em que confrontou a suspeita.
O confronto na delegacia
Segundo a delegada, após o cumprimento do mandado de prisão, Amanda foi levada para a sala de interrogatório e continuou falando com voz infantil. "Coloquei ela na sala e ela começou a fazer voz de neném para mim", relatou Luana. Foi então que a policial decidiu interromper a encenação: "Eu olhei para ela e falei: 'Tá, Amanda, agora chega'." A reação da suspeita foi imediata: "Ela engrossou a voz e olhou no meu rosto e disse: 'Então tá, delegada, agora é de mulher para mulher'." A delegada e a policial que acompanhava o interrogatório ficaram surpresas.
Pertences apreendidos
A polícia apreendeu os pertences de Amanda, incluindo uma mala cheia de bicos e mamadeiras. "A equipe apreendeu a mala dela também. A mala era cheia de bicos e mamadeiras", contou a delegada.
Diagnóstico em 2022
Em 2022, Amanda foi diagnosticada com transtorno factício e pseudologia fantástica, condições que explicam seu comportamento de fingir ser adolescente.
Primeiras suspeitas
Antes da prisão, Amanda havia sido acolhida por famílias e acompanhada por serviços públicos em Cachoeirinha. As primeiras desconfianças surgiram quando pessoas envolvidas no acolhimento procuraram a polícia. "Eles vieram falar comigo porque a então menina estava tendo comportamentos estranhos, nervosos. Saíam agulhas, pregos de dentro dela", afirmou Luana. Ao ver Amanda pela primeira vez, a delegada desconfiou imediatamente: "Quando eles vieram me trazer, eu pensei: 'Isso não é uma menina, é uma mulher'. Desconfiei de cara e vi que não era, era uma mulher."
A busca no Google
Sem conseguir confirmar a identidade da suposta adolescente, a delegada decidiu pesquisar casos semelhantes na internet. "Eu joguei no Google 'menina criança ferros no corpo', algo assim. E aí descobri que havia dez anos acontecia isso", contou. A busca levou a registros de ocorrências em outros estados. Luana entrou em contato com um delegado da Bahia e enviou uma fotografia de Amanda, que confirmou a identidade. A partir daí, a polícia reconstruiu a trajetória de Amanda pelo país, descobrindo que ela se deslocava entre estados pegando carona com caminhoneiros.
O pedido de prisão
A investigação começou quando Amanda passou a apresentar comportamento agressivo na casa de uma das famílias que a acolheram, onde havia outra criança. "Ela começou a ficar agressiva com a outra criança por ciúmes", disse a delegada. Diante das dúvidas sobre sua identidade, a polícia e o Ministério Público solicitaram a prisão preventiva. Na época, Amanda estava internada em um hospital. A prisão ocorreu após a alta médica, com cuidados especiais devido à quantidade de ferros no corpo da investigada. "Tínhamos que cuidar com a queda dela porque ela tinha muito ferro no corpo. A prisão dela foi a coisa mais louca do mundo", relembrou a delegada. Amanda ficou seis meses presa por estelionato até ter a prisão relaxada pela Justiça.
Motivação: queria ter uma família
Após admitir sua verdadeira identidade, Amanda falou sobre os motivos que a levavam a assumir personagens. "Ela me confessou e argumentou que o motivo é que queria ter uma família. No depoimento dela, nunca disse que era para fazer o mal", afirmou Luana. Amanda foi indiciada pela Polícia Civil, e o processo tramita na Justiça gaúcha, mas estava suspenso por ela não ter sido localizada. Recentemente, foi presa novamente em Santa Catarina, onde é investigada por se apresentar como adolescente para obter acolhimento. A defesa de Amanda desconhece os detalhes do processo no Rio Grande do Sul e informou que se manifestará nos autos do caso em Santa Catarina.



