MP prende presidente e mais 4 em esquema de R$ 86 mi no Rio Metrópole
MP prende presidente e mais 4 em esquema de R$ 86 mi

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou nesta quinta-feira uma operação que prendeu o presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, e mais quatro pessoas suspeitas de integrar um esquema de desvio de recursos públicos que movimentou mais de R$ 80 milhões. A investigação aponta que contratos milionários firmados pela autarquia, vinculada à Secretaria de Estado de Governo e nomeada na gestão Cláudio Castro, eram usados para abastecer um esquema que incluía repasses a uma empresa de fachada, saques em dinheiro vivo e transporte de alta quantia com escolta armada.

Como funcionava o esquema

Segundo a denúncia do MPRJ, o IRM firmava contratos com duas empresas: Engeconsult Consultores Técnicos Ltda. e R. Peotta Engenharia e Consultoria Ltda. Esses contratos somaram mais de R$ 80 milhões e eram a “via formal” pela qual o dinheiro saía dos cofres públicos. A Engeconsult teve pelo menos dois contratos citados: o Contrato nº 012/2022, para consultoria na elaboração do Plano Metropolitano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, no valor de R$ 2,88 milhões; e o Contrato nº 06/2023, para serviços técnicos de apoio ao IRM, inicialmente de R$ 20,5 milhões, mas elevado por aditivos até R$ 58,29 milhões. Já a R. Peotta firmou o Contrato nº 07/2022, para serviços de engenharia ligados ao sistema de fornecimento de água e ao Centro de Controle Operacional, com valor inicial de R$ 12,33 milhões e, com aditivos, chegou a R$ 25,09 milhões.

Contratos vagos e de difícil fiscalização

O MP afirma que os contratos eram vagos, amplos e de difícil fiscalização, permitindo pagamentos sem comprovação clara das entregas. Depois de receberem os recursos do IRM, Engeconsult e R. Peotta repassavam dinheiro ao Instituto Bio, descrito pelo MP como uma entidade de fachada. O Instituto Bio era presidido por Caroline Soares Barros. A denúncia aponta que a entidade não tinha estrutura compatível para prestar os serviços: não possuía empregados registrados e apresentava despesas muito baixas. A Engeconsult assinou contrato com o Instituto Bio em fevereiro de 2025, com valor inicial de R$ 451,8 mil, que subiu para R$ 4,08 milhões em menos de seis meses. A R. Peotta também repassou dinheiro ao Instituto Bio: quatro depósitos que somaram R$ 555,9 mil.

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Saques em espécie e escolta armada

Após o dinheiro entrar no Instituto Bio, Caroline transferia quase tudo para sua conta pessoal. Em seguida, ela fazia saques em espécie. Segundo o MP, foram 13 saques entre maio de 2025 e janeiro de 2026, totalizando R$ 3,02 milhões. Dois saques foram de R$ 500 mil cada: um em 26 de dezembro de 2025 e outro em 9 de janeiro de 2026. O transporte do dinheiro era feito com escolta armada da Rioforte Vigilância e Segurança Privada.

Os investigados

Todos os seis alvos da operação foram presos. Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, é presidente do IRM e, segundo o MP, assinava contratos e aditivos, homologava licitações e atuava como ordenador de despesas. Maurício Knoploch, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch, participou da comissão técnica de licitação e assinou contratos. O deputado não é investigado. Franquis Dias Nepomuceno, delegado da Polícia Civil e diretor do IRM, era o elo entre o instituto e a estrutura de circulação do dinheiro, além de exercer controle de fato sobre a Rioforte. Marcelo Lopes da Silva, procurador-geral do IRM, deu cobertura jurídica a atos centrais do esquema, incluindo pareceres ligados à Engeconsult. Caroline Soares Barros, comissionada do IRM, fiscal de contratos e presidente do Instituto Bio, era a operadora financeira do esquema. Amanda Íthala Santos da Paschoal, comissionada do IRM, gestora do contrato com a Engeconsult e fiscal do contrato com a R. Peotta em substituição a Caroline, é nora de Maurício Knoploch e cunhada do deputado estadual Alexandre Knoploch.

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