MP denuncia Deolane Bezerra por lavagem de dinheiro para o PCC
MP denuncia Deolane Bezerra por lavagem de dinheiro ao PCC

O Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra a influenciadora Deolane Bezerra, apontada como uma espécie de "caixa" do Primeiro Comando da Capital (PCC). Novos detalhes da ligação dela com a facção criminosa foram revelados nesta quarta-feira (10). Segundo a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), núcleo de Presidente Prudente, a influenciadora planejava reestruturar suas empresas e enviar recursos para fundos no exterior, especialmente em Dubai, conhecido por abrigar empresas de fachada usadas para lavagem internacional de dinheiro.

Denúncia do Ministério Público

A denúncia feita pelo órgão à Justiça reforçou as ligações da influenciadora com a facção criminosa e os motivos pelos quais ela não pode receber o benefício da prisão domiciliar. Entre os argumentos, a Promotoria destaca que a advogada teria cometido novos crimes em 2024, justamente no período em que ficou presa em casa. Deolane foi presa na Operação Vérnix, que identificou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma transportadora de cargas controlada pela cúpula da facção criminosa. A empresa repassava recursos para outras contas, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro. Duas dessas contas estão em nome da advogada.

Papel central na estrutura financeira

Segundo os investigadores, a influenciadora teria papel central na estrutura financeira da facção e funcionaria como uma espécie de "caixa" da organização criminosa. Valores atribuídos ao PCC eram depositados em contas ligadas a Deolane e misturados a recursos de outras atividades antes de retornarem ao grupo, o que dificultaria o rastreamento financeiro. Durante a operação, a polícia apreendeu valores em dinheiro e uma máquina de contagem de cédulas que pertenciam à advogada e reforçam a continuidade das atividades ilícitas de lavagem de dinheiro por parte dela e a necessidade de prisão. Também foi preso Everton de Souza (conhecido como Player), indicado como operador financeiro da organização. Era ele quem estaria com os itens apreendidos em nome da influenciadora.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Foragidos no exterior

O relatório do MP reforçou que dois dos denunciados, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola, permanecem foragidos. Informações apontam que eles se encontram no exterior, o que, para a Promotoria, justifica o pedido de prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal. Diante da situação, o Ministério Público Estadual denunciou à Justiça: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; Deolane Bezerra Santos; Everton de Souza; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola; e Paloma Sanches Herbas Camacho.

Crimes durante cumprimento de pena

Mesmo já presos em unidade federal de segurança máxima, as investigações apontaram que Marcola e o irmão Alejandro cometeram novos delitos, como integrar organização criminosa e lavagem de capitais, durante o cumprimento de pena. Isso reforçou que a prisão preventiva é o único meio adequado para garantir a ordem pública e, portanto, o Ministério Público Estadual requer a manutenção da prisão preventiva dos denunciados.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Defesa dos acusados

A defesa de Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, representada pelo advogado Bruno Ferullo, se pronunciou nesta quarta-feira (10). Em nota, a defesa reforçou que Marcola e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior cumprem pena em unidade federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019 e que estão "submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia o equívoco da acusação." Já sobre o envolvimento de Leonardo Alexander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, a defesa contesta as citações feitas pelo Ministério Público. "O mero vínculo familiar com os demais denunciados não pode ser confundido com participação criminosa, sendo inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude", diz o comunicado. Quanto ao patrimônio e dinheiro citados na denúncia, o advogado informou que possuem regularidade, conforme provas e esclarecimentos apresentados. Bruno Ferullo ainda disse que adotará todas as medidas processuais cabíveis para demonstrar a fragilidade da narrativa acusatória e a improcedência das imputações atribuídas aos seus constituintes.