MP investiga assédio moral e saúde mental em delegacias de Picos
MP apura assédio moral em delegacias de Picos

O Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) instaurou, em maio, um procedimento administrativo para investigar denúncias de assédio moral e avaliar as condições de saúde mental de delegados e outros servidores das delegacias da Polícia Civil de Picos. A situação ganhou maior repercussão após o delegado Rodrigo Morais, titular da 1ª Delegacia de Picos, registrar um boletim de ocorrência contra a ex-chefe imediata da Polícia Civil da cidade, a delegada Francineide Fontes, por suposta ameaça de morte. O caso foi divulgado pelo delegado nas redes sociais na segunda-feira (1º).

Investigação em andamento

Em nota, a Polícia Civil do Piauí informou que determinou à Corregedoria a apuração imediata de todas as condutas citadas no procedimento. O Ministério Público informou que o caso ainda está em fase inicial de investigação e que o andamento segue em sigilo. Ao g1, o delegado Rodrigo Morais detalhou que cerca de 10 servidores prestarão depoimento, incluindo ele próprio. Rodrigo será ouvido pelo MP na quarta-feira (3).

Denúncias de assédio e sobrecarga de trabalho

Segundo o delegado, a denúncia inclui episódios de assédio moral e jornadas excessivas de trabalho, que resultaram até em afastamentos de funcionários. "Estamos gritando por socorro aos nossos gestores superiores para que olhem para Picos. Os casos de assédio moral aqui são inúmeros. São inúmeros servidores, entre delegados, oficiais investigadores e outros que estão dispostos a falar", iniciou o delegado. Ele complementou: "Eu dei um plantão hoje, meu último procedimento foi às 4h30. Como é que 8h eu vou estar na delegacia dando expediente diário? É incompatível com a natureza humana você ser escalado em seis, sete, oito plantões e acumular com expediente diário. Aí vem síndrome de burnout e licenças psiquiátricas, que causam ao Estado um custo muito maior do que o benefício de acumulação".

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O delegado citou ainda que delegados e policiais chegaram a deixar a cidade de Picos após a recorrência de perseguições. O g1 tenta contato com a Corregedoria da Polícia Civil do Piauí.

Boletim de ocorrência por suposta ameaça

O delegado usou as redes sociais para informar que registrou um boletim de ocorrência contra a ex-chefe, após interpretar uma fala como ameaça. Segundo ele, a ex-chefe teria dito para outro servidor da delegacia que seria capaz de matar alguém e tirar a própria vida em seguida. "Eu registrei um boletim de ocorrência relacionado ao que interpretei como uma ameaça. Foi a minha interpretação do que teria sido dito. A autoridade policial, minha ex-chefe imediata, teria afirmado a outra autoridade policial que seria capaz de matar alguém e depois tirar a própria vida. Como sou eu quem vem relatando publicamente os casos de assédio na circunscrição de Picos, eu me senti ameaçado. Pode ser que, ao final, essa circunstância seja afastada, mas, para preservar a minha integridade física, estou dando publicidade ao fato", disse em vídeo.

O g1 procurou a delegada Francineide Fontes, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Nota da Polícia Civil do Piauí

A Delegacia-Geral informa que já determinou à Corregedoria de Polícia Civil que realize apuração imediata de todas as condutas, em toda extensão, que caracterizem infrações disciplinares no âmbito da Seccional de Picos, de forma a preservar servidores, policiais e o bom andamento dos trabalhos de polícia judiciária, na forma do seu estatuto.

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