A Polícia Civil do Rio de Janeiro instaurou inquérito para investigar a morte de Jessyca Santos Mendonça, de 29 anos, ocorrida 17 dias após ela ter sido submetida a uma cesariana em uma maternidade particular de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. A família da vítima denuncia falhas durante o procedimento cirúrgico e aponta negligência médica como causa do óbito.
O que aconteceu com Jessyca Santos Mendonça
Jessyca deu à luz no dia 13 de junho de 2026, em uma unidade de saúde localizada no bairro da Barra da Tijuca. O parto ocorreu sem intercorrências aparentes, e ela recebeu alta dois dias depois. No entanto, nos dias seguintes, a paciente começou a apresentar fortes dores abdominais, febre e mal-estar generalizado.
Segundo relatos de familiares, Jessyca retornou à maternidade diversas vezes queixando-se dos sintomas, mas foi medicada e liberada sem que exames mais aprofundados fossem realizados. A situação se agravou até que, no dia 30 de junho, ela foi internada em estado grave no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, onde foi diagnosticada com sepse (infecção generalizada) e uma perfuração no intestino.
Investigação policial e perícia
A morte de Jessyca foi registrada na 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca) como “morte a esclarecer”. Equipes da perícia realizaram exames no corpo da vítima, e o laudo deve apontar a causa exata do óbito. A delegacia responsável pelo caso ouvirá testemunhas, incluindo médicos e enfermeiros que participaram do parto e do atendimento posterior.
“A família alega que houve demora na identificação do quadro de infecção e que, se a transferência para outro hospital tivesse ocorrido antes, Jessyca poderia ter sobrevivido”, afirmou o advogado da família, que preferiu não ser identificado. “O atraso na comunicação do caso às autoridades também é um ponto que será apurado.”
Reação da família e pedido de justiça
Parentes de Jessyca realizaram um protesto em frente à maternidade onde ocorreu o parto, exigindo esclarecimentos e responsabilização. Eles afirmam que a paciente era saudável e que a gravidez transcorreu sem problemas. “Ela deixou um filho recém-nascido. Queremos justiça para que outras famílias não passem pelo mesmo sofrimento”, disse uma irmã da vítima, sob condição de anonimato.
A maternidade, por meio de nota, informou que “presta toda a assistência às autoridades competentes e que aguarda o resultado das investigações para se manifestar oficialmente”. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) também foi notificado e pode abrir sindicância para apurar eventual infração ética.
Contexto e alerta
Casos de infecção pós-cirúrgica em cesarianas são raros, mas podem ocorrer quando há falha na assepsia ou lesão acidental de órgãos vizinhos, como o intestino. A perfuração intestinal, se não diagnosticada rapidamente, leva à sepse, condição que tem alta taxa de mortalidade. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que o protocolo padrão exige monitoramento rigoroso das pacientes no pós-operatório, especialmente quando há queixas persistentes.
A Polícia Civil não estipulou prazo para conclusão do inquérito. A família de Jessyca aguarda o laudo pericial e a oitiva dos envolvidos para definir os próximos passos na esfera judicial.



