Moraes solta ex-prefeito de Belford Roxo preso com fuzil
Moraes solta ex-prefeito de Belford Roxo preso com fuzil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, preso em flagrante na terça-feira (7) com um fuzil calibre .556 durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF). Canella deixou a prisão no Rio de Janeiro neste sábado (11), após a decisão de Moraes na noite de sexta (10). Ele estava detido no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, em Gericinó, conhecido como Bangu 8.

Medidas cautelares impostas por Moraes

Na decisão, Moraes afirmou que a alegação de Canella de que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança ainda precisa ser esclarecida no curso das investigações. Apesar da soltura, o ministro impôs medidas cautelares: uso de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte, suspensão do porte de arma e a obrigação de responder ao processo em liberdade.

Canella é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil e foi alvo de mandado de busca e apreensão na operação, que mira uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio. Segundo a PF, o grupo movimentou R$ 7,6 bilhões em um suposto esquema de lavagem de dinheiro com anuência de políticos.

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Trajetória política de Canella

Márcio Canella foi eleito vereador de Belford Roxo em 2012. Em 2015, tornou-se deputado estadual, cumprindo três mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Durante esse período, licenciou-se para ser vice-prefeito de Waguinho, de 2017 a 2019. Os aliados se afastaram após as eleições presidenciais de 2022: Canella apoiou Jair Bolsonaro (PL), enquanto Waguinho optou por Lula.

Em 2024, Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo, derrotando o ex-secretário municipal Matheus do Waguinho (Republicanos), sobrinho de Waguinho. No início de abril de 2026, renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, com apoio do senador Flávio Bolsonaro e do deputado estadual Douglas Ruas. A vice-prefeita Mariana Malta assumiu a prefeitura.

Detalhes da operação

A 6ª fase da Operação Unha e Carne cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. Na casa de um dos alvos, em Niterói, a PF apreendeu armas, joias, dinheiro e carros de luxo. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo.

As investigações começaram com um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentação de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Segundo a PF, “além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”.

A ação insere-se no contexto da decisão do STF na ADPF 635/RJ, a ADPF das Favelas, que determinou que a PF investigasse relações de agentes públicos com facções criminosas.

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