A Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais divulgou que, no primeiro semestre de 2026, foram registrados 78 feminicídios consumados em todo o estado. O número é exatamente o mesmo contabilizado no mesmo período do ano anterior, indicando uma estagnação no combate a esse tipo de crime.
Tentativas de feminicídio aumentam
As tentativas de feminicídio, por outro lado, apresentaram crescimento. Foram 97 casos nos primeiros seis meses de 2026, dois a mais que os 95 registrados no primeiro semestre de 2025. Esse aumento, embora pequeno em números absolutos, representa uma tendência preocupante, segundo analistas de segurança.
A capital Belo Horizonte apresentou uma redução nos feminicídios consumados: seis mulheres foram mortas neste ano, contra nove no mesmo período de 2025. Contudo, as tentativas de feminicídio na capital saltaram de 10 para 15, um incremento de 50%. Os dados foram fornecidos pela própria secretaria.
Casos recentes chocam a cidade
Na última semana, dois episódios investigados como feminicídio ganharam repercussão em Belo Horizonte. No bairro Camargos, um suspeito confessou ter assassinado a namorada dentro do apartamento onde moravam. A polícia foi acionada por vizinhos que ouviram discussões e, ao chegar, encontrou a vítima sem vida.
O segundo caso envolve um casal de policiais militares. A mulher, uma capitã, foi levada já sem vida ao hospital pelo marido, um sargento da corporação. O suspeito alega que a encontrou desacordada na cama após uma suposta queda da escada. O comando da Polícia Militar de Minas Gerais classificou o caso como violência doméstica e familiar e instaurou investigação interna.
Desafios no enfrentamento ao feminicídio
Especialistas apontam que a manutenção dos números de feminicídios consumados reflete a necessidade de políticas públicas mais efetivas. O aumento das tentativas sugere que mais mulheres estão conseguindo sobreviver, mas ainda sofrendo violência extrema. A Secretaria de Segurança Pública afirma que está ampliando as medidas de proteção, como o monitoramento de agressores por tornozeleiras eletrônicas e a criação de novas delegacias especializadas.
Em Belo Horizonte, a queda nos consumados pode estar associada a ações integradas da Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica e a campanhas de conscientização. No entanto, o crescimento de 50% nas tentativas acende um alerta para a gravidade das agressões que não chegam a ser letais.
O governo estadual reforça o canal de denúncias pelo 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o aplicativo MG Mulher, que permite acionar a polícia discretamente. A sociedade civil também cobra maior agilidade no julgamento dos casos e punição efetiva aos agressores.
Os dados do primeiro semestre de 2026 servem como termômetro para as ações do poder público. A estabilidade nos feminicídios consumados, combinada ao aumento das tentativas, exige uma resposta coordenada entre os Três Poderes e a sociedade para proteger as mulheres mineiras.



